Memória de portelenses vítimas da Covid-19 é eternizada com plantio de baobá no Parque Madureira

Muda tem origem no famoso baobá João Gordo, que teve o tronco criminosamente cortado em julho, em Paquetá

A Portela realizou, na manhã desta sexta-feira (20), feriado do Dia da Consciência Negra, uma emocionante homenagem aos portelenses que faleceram vítimas da covid-19 e de outras doenças, nos últimos meses. Inspirada no enredo “Igi Osè Baobá”, que exalta a simbologia da árvore originária da África, a diretoria plantou uma muda da espécie na entrada principal do Parque Madureira.

A muda escolhida teve origem num broto do famoso baobá João Gordo, cujo tronco foi criminosamente cortado no dia 31 de julho, em Paquetá. Integrantes do grupo Plantar Paquetá conseguiram resgatar parte do caule que havia sido derrubado por vândalos, garantindo a sobrevivência da árvore, atração na ilha desde 2013. Ao tomar conhecimento do desejo da diretoria, o grupo decidiu presentear a Portela.

“Nosso enredo vai contar a história do baobá, que é a árvore mais importante da cultura africana, por representar sabedoria, tradição, longevidade, resistência e eternidade. O plantio da muda representa a eternidade da nossa escola e a preservação da memória dos nossos componentes que partiram durante a pandemia, além de ser um gesto contra todos os tipos de intolerância”, explicou o presidente da Portela, Luis Carlos Magalhães, ao inaugurar a placa que ficará no canteiro.

O vice-presidente Fábio Pavão também falou sobre o significado da cerimônia, ocorrida debaixo de chuva. “Plantar o baobá no Dia da Consciência Negra tem tudo a ver com a simbologia e com a religiosidade da cultura africana. É uma homenagem aos nossos antepassados e a todos os portelenses que nos deixaram nos últimos meses. Enquanto as raízes desse baobá estiverem fincadas no chão de Madureira, eles continuarão entre nós.”

Emocionado, Ricardo Matos, que representou o grupo Plantar Paquetá, comemorou o novo destino do baobá. “Essa muda tinha tudo para ter uma história com um final muito infeliz, mas graças à força dela e à resistência dela, o final está sendo outro, através da Portela. A história desse baobá mostra força, resiliência, e não apenas de uma árvore, de uma espécie… Essa resistência é do próprio meio ambiente, que só precisa de uma oportunidade para se reerguer. Esse exemplo também nos ensinou muito sobre a importância de cuidarmos do outro, seja de uma árvore, seja do vizinho, seja de um familiar.”

Na tradição africana, baobás são pontes que unem os vivos e os mortos. Era comum, por exemplo, os griôs (anciãos mais sábios) serem sepultados no tronco de baobás, para que, enquanto a árvore permanecesse viva, eles continuassem “aconselhando” a comunidade. A árvore representa, ainda, ancestralidade, origem, pertencimento e resistência.

Prestigiaram a cerimônia, ainda, o baluarte Jeronymo Patrocínio, a coordenadora da ala de passistas e membro da comissão de Harmonia, Nilce Fran, a terceira porta-bandeira da Portela, Rosilane Queiroz, o coordenador dos Destaques Carlos Ribeiro, a secretária Jaqueline Gomes, além de passistas, baianas, compositores, integrantes da Harmonia e das torcidas organizadas da agremiação.

O gestor do Parque Madureira, Sidinho Gurgel, parceiro fundamental da iniciativa, também prestigiou o evento, ao lado de membros da equipe do Parque e de funcionários da Secretaria Municipal de Conservação.

Fotos em anexo

Crédito: Raphael Perucci

 

Paulo Costa

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