Samba chora a perda de Monarco, baluarte da Portela, mestre da vida

Samba chora a perda de Monarco, baluarte da Portela, mestre da vida

O Samba perdeu, neste sábado, 11/12, um de seus grandes baluartes, e a Portela, mais do que o seu presidente de honra, perdeu o guardião de suas glórias e tradições. Internado há 21 dias no Hospital Cardoso Fontes, em Jacarepaguá, onde convalescia de uma cirurgia no intestino, Hildemar Diniz, o Monarco da Portela, compositor e mestre da vida, respeitado e querido em todas as quadras e rodas de samba do País, morreu aos 88 anos.

Criado no bairro de Oswaldo Cruz, colecionou desde a infância diversas histórias de outro mestre, Paulo da Portela. Onde estivesse, fosse no palco ou numa roda de amigos, encontrava sempre um jeito de reverenciar o seu grande ídolo. Foram, certamente, os exemplos de Paulo que orientaram Monarco a trabalhar para que a Portela fosse mais que uma Escola de Samba e se transformasse numa gigantesca família. O projeto foi além: virou uma Nação, a Nação Azul e Branca.

Em seu vasto repertório de sambas, Monarco conseguiu emplacar diversos sucessos – a maioria deles depois que vários afilhados – portelenses “de berço”, como gostava de frisar – começaram a gravar, e conquistar espaço na música popular brasileira. Paulinho da Viola, Clara Nunes, Zeca Pagodinho, Mauro Diniz, seu filho, Marisa Monte, Marquinhos de Oswaldo Cruz, Tia Surica, e Tereza Cristina, entre muitos outros.

Decano da Velha Guarda da Portela Show, atração obrigatória nas feijoadas que movimentam a quadra da Rua Clara Nunes, em Madureira, no primeiro sábado de cada mês, Monarco deixará diversas lembranças nas músicas que o povo canta: “Passado de Glória”, “De Paulo a Paulinho”, “Portela desde criança”, “Quitandeiro”, “Vai Vadiar!”, “Nunca vi você tão triste”, “Tudo menos amor” e tantas outras.

Mestre Monarco deixa Olinda, com quem era casado desde 2004, e o seu legado de arte popular com o filho Mauro Diniz, músico e arranjador, e a neta Juliana Diniz, atriz e cantora, filha de Mauro.

O velório do baluarte será realizado a partir das 11h na quadra da Portela (Rua Clara Nunes nº 81, Madureira), onde receberá as últimas homenagens da Família Portelense. O sepultamento será no Cemitério de Inhaúma.

Consternado com a perda do grande amigo, o presidente da LIESA, Jorge Perlingeiro, lembrou de momentos vividos ao lado de Monarco em inúmeros shows na TV, casas de espetáculos e nas quadras. “Eu sempre brincava com ele, pois éramos dois raros torcedores do América. Mas, agora, não terei mais com quem dividir esta honra”- lamentou.

Em nome da Diretoria da LIESA, o presidente Perlingeiro transmite o seu mais profundo pesar aos familiares de Monarco, ao presidente da Portela, Luís Carlos Magalhães e à gigantesca Nação Azul e Branca, espalhada pelo Brasil. Irmana-se à dor de todas as Escolas de Samba e pede a Deus que ilumine o grande baluarte em sua próxima jornada, nas alturas, no berço das Águias.

 

(Fotos: Henrique Matos / Acervo LIESA)

 

 

Paulo Costa