{"id":4745,"date":"2026-07-11T04:27:11","date_gmt":"2026-07-11T07:27:11","guid":{"rendered":"https:\/\/mundodocarnaval.com.br\/?p=4745"},"modified":"2026-07-11T04:27:11","modified_gmt":"2026-07-11T07:27:11","slug":"imperio-da-penha-levara-o-pilao-como-enredo-no-carnaval-de-2027","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mundodocarnaval.com.br\/pt_br\/imperio-da-penha-levara-o-pilao-como-enredo-no-carnaval-de-2027\/","title":{"rendered":"Imp\u00e9rio da Penha levar\u00e1 o \u201cPil\u00e3o\u201d como enredo no carnaval de 2027"},"content":{"rendered":"<p>Imp\u00e9rio da Penha levar\u00e1 o \u201cPil\u00e3o\u201d como enredo no carnaval de 2027<\/p>\n<p>Em sua estreia no carnaval carioca, o Imp\u00e9rio da Penha, que desfilar\u00e1 pelo Grupo de Avalia\u00e7\u00e3o na Intendente Magalh\u00e3es em 2027, ter\u00e1 como o enredo \u201cPil\u00e3o\u201d, desenvolvido pelo carnavalesco Davi Gbanna. A ideia do tema \u00e9 exaltar esse objeto s\u00edmbolo de tudo o que ele se permitiu e permite ser: resist\u00eancia, coletividade e identidade cultural do povo brasileiro.<\/p>\n<p>Muito antes de ocupar cozinhas, terreiros, aldeias e quintais do Brasil, o pil\u00e3o j\u00e1 se fazia ecoar como instrumento sagrado em diversas civiliza\u00e7\u00f5es africanas. O surgimento do pil\u00e3o possui forte liga\u00e7\u00e3o com os Orix\u00e1s, divindades da tradi\u00e7\u00e3o iorub\u00e1 que vieram de al\u00e9m-mar guiando seus filhos para um novo destino.<\/p>\n<p>Atravessando tempos, cren\u00e7as e saberes populares, o pil\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 aquele que embala cantos, dan\u00e7as e celebra\u00e7\u00f5es coletivas. Seu som marca o compasso da resist\u00eancia de um povo que, no \u201csocar do pil\u00e3o\u201d, assinou sua identidade na hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>SINOPSE<\/p>\n<p>Tudo come\u00e7a na \u00c1frica e nessa hist\u00f3ria n\u00e3o seria diferente&#8230; \u00c9 no cora\u00e7\u00e3o e das m\u00e3os  do povo negro que partimos para a evolu\u00e7\u00e3o do mundo e \u00e9 na mesma \u00c1frica que surge Oxagui\u00e3, jovem guerreiro do pante\u00e3o iorub\u00e1, senhor da coragem e da paz.<\/p>\n<p>Contam as lendas que Oxagui\u00e3 recebeu o pil\u00e3o das m\u00e3os de Ogum, poderoso orix\u00e1 da forja sagrada, senhor dos ferreiros e dos caminhos. Grande amigo e companheiro de batalhas, Ogum foi aquele que criou as ferramentas para que a humanidade pudesse trabalhar e evoluir. Entre suas inven\u00e7\u00f5es estava o pil\u00e3o, presente criado especialmente e ofertado a Oxagui\u00e3, apreciador do inhame, alimento cujo preparo exigia grande esfor\u00e7o. Com o novo instrumento, o trabalho tornou-se mais simples e eficiente.<\/p>\n<p>Oxagui\u00e3 ent\u00e3o entregou o pil\u00e3o ao povo de Elegib\u00f4, seu reino, cuja sobreviv\u00eancia dependia da colheita do inhame. Assim, o instrumento desceu \u00e0 Terra como heran\u00e7a sagrada, destinado a alimentar corpos e fortalecer esp\u00edritos. Mais do que objeto de uso cotidiano, tornou-se s\u00edmbolo de f\u00e9 e prosperidade.<\/p>\n<p>Atravessando o Atl\u00e2ntico, o pil\u00e3o desembarca em terras tupiniquins e passa a integrar profundamente a cultura colonial e rural. Nas senzalas, nas cozinhas das sinh\u00e1s, nos terreiros das fazendas e nas comunidades, trabalhou lado a lado com aqueles que o trouxeram. Moeu milho, pimenta, caf\u00e9 e dend\u00ea. Entre uma batida e outra, testemunhou o suor e as l\u00e1grimas de um povo que, assim como ele, envergou, mas n\u00e3o quebrou. Madeira de lei, s\u00edmbolo de resist\u00eancia.<\/p>\n<p>Nas m\u00e3os dos pretos-velhos e das rezadeiras, o pil\u00e3o resgata sua miss\u00e3o divinizada. Macera ervas para banhos sagrados, prepara p\u00f3s para mandingas e fortalece tradi\u00e7\u00f5es transmitidas pela ancestralidade. Nas aldeias ind\u00edgenas, tamb\u00e9m escreve sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, tornando-se parte dos saberes e pr\u00e1ticas de diferentes povos.<\/p>\n<p>Mergulhando novamente em sua ess\u00eancia sagrada, chegamos ao terreiro de candombl\u00e9. Ali, o pil\u00e3o ocupa lugar de destaque nos altares e pejis. Nos quartos sagrados, sustenta a coroa e o Igb\u00e1, materializa\u00e7\u00f5es da for\u00e7a de Xang\u00f4. \u00c9 tamb\u00e9m ao redor dele que, ap\u00f3s os ritos das \u00c1guas de Oxal\u00e1, celebra-se a Festa dos Inhames Novos, ou Pil\u00e3o de Oxal\u00e1. Vestidos de branco, os filhos de ax\u00e9 reverenciam Oxagui\u00e3, que ensinou que o alimento transformado pelo pil\u00e3o ganha car\u00e1ter sagrado, e que comer \u00e9 celebrar a vida, fortalecer o corpo e honrar a ancestralidade.<\/p>\n<p>O pil\u00e3o transforma-se, ent\u00e3o, em instrumento de transforma\u00e7\u00e3o social e espiritual. Das terras africanas \u00e0s festas populares brasileiras, resiste ao tempo e se torna patrim\u00f4nio afetivo do Brasil. Est\u00e1 presente na culin\u00e1ria, nos sambas de roda, nos jongos, nos batuques e em in\u00fameras manifesta\u00e7\u00f5es que fazem do pa\u00eds uma na\u00e7\u00e3o culturalmente pulsante.<\/p>\n<p>Por sua import\u00e2ncia, o Imp\u00e9rio da Penha canta o Pil\u00e3o como s\u00edmbolo de uni\u00e3o entre \u00c1frica e Brasil, entre tradi\u00e7\u00e3o e futuro, entre o sagrado e o popular. O Pil\u00e3o \u00e9 a ess\u00eancia da identidade nacional.<\/p>\n<p>\u201cQuando o pil\u00e3o bate, o povo canta.<br \/>\nQuando o povo canta, a mem\u00f3ria vive.<br \/>\nE no terreiro que \u00e9 a avenida, o samba celebrar\u00e1 a for\u00e7a ancestral que transformou dor em cultura, alimento em resist\u00eancia e tradi\u00e7\u00e3o em eternidade.\u201d<br \/>\nTexto e Pesquisa \u2013 Davi Gbanna.<\/p>\n<p>Texto \u2013 Nathan Souza.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imp\u00e9rio da Penha levar\u00e1 o \u201cPil\u00e3o\u201d como enredo no carnaval de 2027 Em sua estreia no carnaval carioca, o Imp\u00e9rio da Penha, que desfilar\u00e1 pelo Grupo de Avalia\u00e7\u00e3o na Intendente Magalh\u00e3es em 2027, ter\u00e1 como o enredo \u201cPil\u00e3o\u201d, desenvolvido pelo carnavalesco Davi Gbanna. 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