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1984 – Carnaval Histórico – Parte I

 

1984 – Este ano o bloco de nossa família tem mais uma nova integrante desta vez é a minha sobrinha Erica, filha do meu irmão Ivan e minha cunhada Sandra que reforça o nosso bloco.

1984 – Assim como aconteceu no ano de 1982 este ano foi um grande carnaval, tivemos finalmente o nosso local de desfile das escolas de samba, bem como um lugar definitivo para grandes shows. À Avenida Marques de Sapucaí, mais uma magnifica obra de Oscar Niemeyer estava sendo entregue de forma definitiva para o povo da Cidade do Rio de Janeiro, aquelas imensas arquibancadas fixas de concreto dava realmente uma imponência a aquele lugar, tivemos a apresentação das escolas de sambas em três magníficos dias com desfiles surpreendentes. Em um domingo no primeiro dia 03/03/1984 a Portela num desfile muito inspirado apresentou o enredo “Contos de Areia”, como falei anteriormente parecia mesmo uma replica do ano de 1982, uma vez que o Império Serrano também apresentou um desfile digno de suas tradições e colocando assim, mais uma vez o nome de Madureira como terra do samba. Mas ainda tínhamos a segunda-feira 04/03/1984, a Mocidade Independente de Padre Miguel também mostrando a sua força com o enredo “Mamãe eu quero Manaus” foi um belo desfile. Não há como não falarmos da Estação Primeira de Mangueira a escola verde e rosa chegou à nova avenida e passa como um verdadeiro furacão, pois ninguém ficou parado em sua apresentação e não foi somente uma passagem deste furacão, a Mangueira realizou o retorno da Apoteose em direção a Avenida Presidente Vargas. Este movimento fez que além da própria escola, uma multidão em tamanho superior seguissem brincando, sambado e cantando, atrás da verde e rosa em um dia memorável para o carnaval carioca. Sábado 10/03/1984 ficou conhecido como o dia do supercampeonato, o grupo formado pelas três primeiras colocadas dos dias 03/03 e 04/03 e ainda as duas primeira do grupo 1B formaram este novo grupo. Assim continuou o delírio do maior carnaval do Mundo e a Estação Primeira de Mangueira, repete a sua brilhante apresentação realizada no dia 04/03/198, acaba se sagrando a Supercampeã bem como, a Portela revive os seus bons momentos do dia 03/03/1982 que acaba como a Vice-Campeã neste supercampeonato. Nossa rotina de desfiles continuou no Boêmios de Irajá, Cacique de Ramos e Bafo da Onça, o Edson se firmava definitivamente com diretor de bateria no Unidos de Lucas. Eu continuava observando e aprendendo toda a rotina de uma armação e desfile da escola de samba.

 1984 – Portela

Antes do desfile a bateria esquentava com sambas de Clara Nunes, falecida em abril do ano anterior. Desde o início da década de 70, Clara estava sempre presente aos desfiles da Portela, e a homenagem no primeiro carnaval sem a presença do “Sabiá”, levou às lágrimas vários amigos e admiradores da cantora. O clima de emoção tomava conta de todo o sambódromo quando o esquenta da bateria foi interrompido para que um minuto de silêncio fosse respeitado. A batida seca do surdo é intercalada pela lembrança de Clara, Paulo e Natal. De repente o silêncio é interrompido, morteiros começam a explodir no céu. O som do estouro dos fogos se mistura com a batida firme da bateria de mestre Marçal. Os puxadores cantavam a plenos pulmões, ajudados pelo potente sistema de alto-falantes da avenida. O desfile havia começado. Manacéa, Alberto Lonato, Ari do Cavaco, Casquinha, Chico Santana e outros grandes nomes que dispensavam apresentação, faziam parte da tradicional comissão de frente mostrando desde o início toda a tradição que a Portela apresentaria na avenida. A Águia, sempre cercada de mistérios aparecia em dose dupla na avenida. A primeira, semi-submersa, representava a escola nascendo do mar, assim como o mundo. Após o abre-alas, várias caravelas invadiam a passarela e abriam o desfile da escola. No primeiro setor a Portela trazia a Bahia, berço dos Orixás para a avenida. A partir de então, seguia a homenagem aos grandes portelenses relacionados com a história de seus respectivos orixás.

 1984 – Império Serrano

 O sol brilhava forte quando os 2.800 componentes do Império pisaram na Passarela. O enredo “Foi Malandro, É”, de autoria de Fernando Pamplona, foi desenvolvido pelo carnavalesco Renato Lage e contou a história da malandragem no Brasil (não no sentido da picaretagem, mas sim da esperteza) desde os tempos do Descobrimento. Segundo o enredo, tudo começou com Pero Vaz de Caminha, que em sua carta ao Rei de Portugal pediu emprego para o sobrinho, inventando o pistolão. O desfile foi aberto por um lindo abre-alas, que mostrava de forma bem-humorada Pero Vaz (Evandro de Castro Lima) cercado pelas belezas naturais da terra descoberta. Na sequência surgiram várias alas e adereços que representavam o encontro dos índios com os portugueses.

 1984 – Mangueira 

Homenageando o compositor João de Barro (que esbanjou simpatia e emoção no abre-alas da escola), a Mangueira apresentou “Yes, Nós Temos Braguinha”, tema dividido em três quadros: “A Bela Época”, “Festa Junina” e o “Carnaval”. Com cerca de 3.800 componentes divididos em 43 alas, a Mangueira iniciou o desfile com casais da Belle Époque formando sua comissão de frente, seguidos por um enorme carro com a perfeita representação de um gramofone. O carnavalesco Max Lopes optou pelo rosa claro para fantasiar as damas e cavalheiros do início do século XX, época do nascimento do homenageado. Suavizando as cores também nos demais setores, a escola desfilou bonita como nunca e mostrou as três partes de seu enredo com bastante coerência. Impulsionada por um samba de primeira, interpretado pela voz potente de Jamelão, a Mangueira empolgou o público do princípio ao fim e nem mesmo um pequeno descompasso na evolução, que fez com que a escola abrisse alguns claros na pista, parecia poder atrapalhar na briga pelo título. Na Praça da Apoteose, a Mangueira evoluiu de forma contagiante e caiu definitivamente nos braços do povo, quando ao invés de dispersar, começou a retornar pela passarela oferecendo mais um desfile ao público, que se misturou à escola, formando um grande e comovente desfile de carnaval. Foi fantástico!

 1984 – Mocidade Independente 

Frustrados com a sexta colocação do ano anterior, os 3.500 componentes da Mocidade estrearam na Passarela do Samba com a disposição de disputar o título. Investimento não faltou na montagem do enredo “Mamãe Eu Quero Manaus”, delírio do carnavalesco Fernando Pinto que contou a história da muamba no Brasil desde a chegada da Família Real até à Zona Franca de Manaus. Na abertura, uma comissão de frente fantasiada de piratas (“os contrabandistas do passado”) e uma sequência incrível de grande impacto de quatro proas de embarcações e uma grande galera que arrancaram aplausos do público. Revestida em lamê dourado e carregada de tapetes, bebidas e perfumes importados, a grande alegoria trazia nas laterais escravos com cocares, remando com talheres de prata: o maior barato! Mucamas e belos destaques emplumados compunham o quadro. As primeiras alas estavam vestidas com muito luxo e faziam alusão aos cristais, destacados em lustres e candelabros. Abrindo o setor da Zona Franca, surgiram as “baianas muambeiras”, com óculos de sol e perucas coloridas, para desespero dos tradicionalistas e delírio do grande público. E se o samba puxado pelo brilhante Aroldo Melodia não estava entre os melhores (marcheado demais para alguns), isso não importava para o povo de Padre Miguel, que dançou e cantou com entusiasmo durante todo o desfile. A escola terminou sua apresentação preenchendo com beleza todos os espaços da Praça da Apoteose e fazendo um dos melhores desfiles do ano até aquele momento.

 Desfile das Escolas de Samba

 O carnaval de 1984 teve o seguinte resultado: Grupo 1A (AESCRJ) Passarela do Samba – Domingo – 03/03

Portela com enredo “Contos de Areia” com 203,0 pontos Campeã, Império Serrano com enredo “Foi Malandro É” com 201,0 pontos Vice-Campeã, Caprichosos de Pilares com enredo “A Visita da Nobreza do Riso a Chico Rei, num Palco nem sempre Iluminado” com 193,0 pontos em Terceiro, Acadêmicos do Salgueiro com enredo “Skindô, Skindô” com 192,0 pontos, União da Ilha com enredo “Quem Pode,Pode quem não Pode…” com 188,0 pontos, Império da Tijuca com enredo “9215” com157,0 pontos, Unidos da Tijuca com enredo “Salamaleikum, a Epopéia dos Insubmissos Malês” com 147,0 pontos.

 Foram rebaixadas para o Grupo 1B as escolas: Unidos da Tijuca

 O carnaval de 1984 teve o seguinte resultado: Grupo 1A (AESCRJ) Passarela do Samba  – Segunda – Feira – 04/03

Mangueira com enredo “Yes, Nós Temos Braguinha” com 208,0 pontos Campeã, Mocidade Independente de Padre Miguel com enredo “Mamãe eu quero Manaus” com 201,0 pontos Vice-Campeã, Beija-Flor de Nilópolis com enredo “O Gigante em Berço Esplêndido” com 193,0 pontos em Terceiro, Imperatriz Leopoldinense com enredo “Alô Mamãe” com 189,0 pontos, Unidos de Vila Isabel com enredo “Pra tudo se Acabar na Quarta-Feira” com 183,0 pontos, Estácio de Sá com enredo “Quem é Você” com 173,0 pontos, Unidos da Ponte com enredo “Oferendas” com 168,0 pontos.

 Foram rebaixadas para o Grupo 1B as escolas: Unidos da Ponte

 O Supercampeonato de 1984 teve o seguinte resultado: Grupo 1A (AESCRJ) Passarela do Samba Sábado – 10/03

 Mangueira com enredo “Yes, Nós temos Braguinha” com 139,0 pontos Campeã, Portela com enredo “Contos de Areia” com 137,0 pontos Vice-Campeã, Mocidade Independente de Padre Miguel com enredo “Mamãe, eu Quero Manaus” com 128,0 pontos em Terceiro, Império Serrano com enredo “Foi Malandro É” com 128,0 pontos, Beija-Flor de Nilópolis com enredo “O Gigante em Berço Esplêndido” com 127,0 pontos, Caprichosos de Pilares com enredo “A Visita da Nobreza do Riso a Chico Rei num Palco nem Sempre Iluminado” com 120,0 pontos, Unidos de Cabuçu com enredo Beth Carvalho, a Enamorada do Samba” com 111,0 pontos, Acadêmicos de Santa Cruz com enredo “Acima da Coroa de Um Rei só um Deus” com 101,0 pontos.

 Foram rebaixadas para o Grupo 1B as escolas: Não houve rebaixamento

 Grupo: 1B (AESCRJ) Passarela do Samba – 02/03

 Unidos do Cabuçu com enredo “Beth Carvalho, a Enamorada do Samba” com 198,0 pontos Campeã, Acadêmicos de Santa Cruz com enredo “Acima da Coroa de um Rei, só um Deus” com 197, 0 pontos Vice-Campeã, Em Cima da Hora com enredo “33, Destino D. Pedro II” com 189,0 pontos em Terceiro, São Clemente com enredo “Não Corra, não Mate, não Morra – O Diabo está Solto no Asfalto” com 187,0 pontos, Acadêmicos do Engenho da Rainha com enredo “o Tucá Juê” com 185,0 pontos, Unidos de Bangu com enredo “Atrás do Trio Elétrico” com 182,0 pontos, Arrastão de Cascadura com enredo “O Conto Lendário de Marabá” com 181,0 pontos, Unidos de Lucas com enredo “Dança Brasil” com 181,0 pontos, Lins Imperial com enredo “Só Vale Quem tem Dinheiro” com 176,0 pontos, Unidos de Jacarezinho com enredo “Ziguezagueando no Zum Zum da Fantasia” com 163,0 pontos, Paraíso do Tuiutí com enredo 1984 – Um Ano de Otimismo” com 152,0 pontos, Império do Marangá com enredo “Águas Lendárias” com 140,0 pontos.

Sobem para o Grupo 1A a Escolas: Unidos de Cabuçu, Acadêmicos de Santa Cruz, Em Cima da Hora e São Clemente. 

Foram rebaixadas para o Grupo 2A na Avenida Marques de Sapucaí as Escolas: Não Houve escola rebaixada

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 Referencias: wikpedia, portelaweb, sambariocarnaval