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1986 – Eu e a Avenida

1986 – Chegou também a minha hora de aumentar mais uma vez a família e o nosso bloco, havia acabado de me casar no mês de Julho de 1985.

1986 – Neste carnaval eu estava completamente envolvido no fantástico mundo do samba tudo que eu havia observado e obviamente aprendido, agora estava presenciando não mais do lado de fora, mas dentro desta fantástica fabrica de ilusões. Já tinha uma nova rotina este era o meu segundo ano e tinha todo um planejamento pré-estabelecido, não era mais um simples espectador eu me encontrava no grupo de desfilantes e ainda em um grupo de elite, eu era um ritmista. Já era efetivo no Bloco de Embalo Eles Que Digam e nas escolas Tradição e Caprichosos de Pilares, que este ano teria como diretor de bateria o Paulinho Botelho. As participações nos diversos ensaios, os momentos das escolhas de sambas, os vários ensaios técnicos na Tradição e na Caprichosos e principalmente os ensaios de ruas, eram momentos mágicos para mim. Havia também toda a expectativa do dia das entregas das roupas (fantasias) que normalmente era sofrido e de vez em quando após longa espera, ainda tínhamos que receber alguma peça na avenida durante o período de concentração. Na concentração quando era permitido à entrada dos ritmistas na avenida, sempre tinha aquela sensação deliciosa que finalmente estava chegando o grande momento, entravamos e ficávamos parados próximo ao primeiro portão ainda na Avenida Presidente Vargas, eu particularmente tenho preferencia por concentração ao lado dos Correios, olhando a entrada da escola que estava a nossa frente. O tempo parecia uma eternidade, aquela escola não acabava nunca. Depois de algum tempo avistávamos a última alegoria da escola a nossa frente, os apitos dos nossos diretores soavam e entravamos em formação, aquele portão era aberto e caminhávamos até a cabeceira da avenida, ali já era possível ter aquela maravilhosa visão da passarela do samba. Novamente o último portão também se abria e aí novos comandos eram dados através dos apitos por nossos diretores de bateria, finalmente ouvia-se o som de um repique começávamos a nossa apresentação no setor 1. Era bastante curioso, pois quando olhávamos para a arquibancada, víamos nos olhares e nas expressões daquelas pessoas, uma luz de alegria e uma magia que nunca nenhum ritmista já mais esqueceria.

Mangueira

Depois de um péssimo desfile no ano anterior, a escola tinha como seu primeiro objetivo apagar aquela má impressão assim, a Estação Primeira de Mangueira entrou com tudo na passarela e apagou, com um de seus melhores desfiles. A escola resolveu resgatar suas tradições com o carnavalesco Júlio Matos, artesão com formação popular, que desenvolver o enredo “Caymmi, Mostra ao Mundo o que a Bahia e a Mangueira Têm”. A primeira medida de Julinho na concepção do desfile foi resgatar o verde e o rosa mais fortes nas fantasias e alegorias, depois das críticas à divisão cromática da escola em 1985, na qual quase não houve verde. Além de homenagear o grande cantor e compositor baiano, a Verde e Rosa fez um belo passeio pelos costumes, culinária, religiosidade e tradições baianas tão lembradas nas canções de Caymmi. A comissão de frente já agradou, com baianas típicas simbolizando a lavagem das escadarias do Bonfim e abrindo os caminhos para a Mangueira passar.

 Beija-flor

O carnavalesco Joãozinho Trinta esteve muito inspirado ao conceber o enredo “O mundo é uma bola”. Além de passear pelos ancestrais do futebol, segundo as pesquisas, na China, Japão e Afeganistão, o carnavalesco homenageou os grandes clubes do Rio, além de ídolos como Garrincha, falecido três anos antes. Ele ainda foi capaz de fazer um enorme “merchan” à bola Azteca da Adidas (que seria usada no Mundial daquele ano) sem ser criticado, pois a alegoria era muito bonita. Havia também elementos que homenageavam os clubes do Rio de Janeiro e campeões do mundo como Jairzinho e Carlos Alberto Torres participaram do desfile. A famosa frase de João Saldanha de que “se macumba ganhasse jogo, o Campeonato Baiano terminaria empatado” foi sintetizada numa alegoria que abordava o misticismo no futebol.

 Aconteceu no Carnaval

 Morreram

 Em 02.12.1985 Morreu assassinado o Presidente da Estácio de Sá Antônio Gentil.

Em 17/02/1986 Nelson Cavaquinho, compositor da Mangueira.

 Realizado a instalação de relógios eletrônicos na pista dos Desfiles do Sambódromo para marcar o tempo de desfile.

 O Desfile volta a ser linear, com a construção de cadeira de pistas na Praça da Apoteose.

 Pela primeira vez o Grupo III das Escolas de Samba desfilam no Sambódromo.

 Sem os patronos Zinho e Manola em 1986, a Mangueira estava em dificuldades financeiras, e Júlio Matos não ganhou nenhum centavo pelo trabalho. Pediu apenas que a escola doasse a ele os materiais que sobrassem, para reaproveitamento em sua oficina cenográfica.

 Segunda-feira 10.02.1986 não há como não lembrar o grande diluvio que as escolas enfrentaram no decorrer do desfile, a Avenida Marques de Sapucaí se transformou em uma grande área alagada, causando dificuldades para os desfilantes. Em sua passagem a Beija-Flor de Nilópolis chegou a ter água quase na altura da canela de alguns de seus componentes.

 Desfile das Escolas de Samba

 O carnaval de 1986 teve o seguinte resultado: Grupo 1A (LIESA) Passarela do Samba – 09 e 10/02

Estação Primeira de Mangueira com enredo “Caymmi mostra ao Mundo o que a Bahia tem e a Mangueira Também” com 214,0 pontos Campeã, Beija-Flor de Nilópolis com enredo “O Mundo é Uma Bola” com 211,0 pontos Vice-Campeã, Império Serrano com enredo “Eu Quero” com 209,0 pontos em Terceiro, Portela com enredo “Morfeu no Carnaval, a Utopia Brasileira” com 207,0 pontos, União da Ilha do Governador com enredo “Assombrações” com 207,0 pontos, Acadêmicos do Salgueiro com enredo “Tem que se Tirar da Cabeça aquilo que Não se Tem no Bolso – Tributo a Fernando Pamplona” com 205,0 pontos, Mocidade Independente de Padre Miguel com enredo” Bruxaria e Estórias do Arco da Velha” com 201,0 pontos, Imperatriz Leopoldinense com enredo “Um Jeito pra Ninguém botar Defeito” com 197,0 pontos, Caprichosos de Pilares com enredo “Brazil com Z não Seremos Jamais, ou Seremos?” com 192,0 pontos, Estácio de Sá com enredo “Prata da Noite – Homenagem a Grande Otelo” com 187,0 pontos, Unidos de Vila Isabel com enredo “De Alegria Cantei, de Alegria Pulei, de Três em Três, pelo Mundo Rodei” com 186,0 pontos, Império da Tijuca com enredo “Tijuca, Cantos, Recantos e Encantos” com 176,0 pontos, Unidos do Cabuçu com enredo “Deu a Louca na História! E agora Stanislaw, como é Que Fica” com 172,0 pontos, Unidos da Ponte com enredo “Herivelto Martins, tá na Hora do Samba que Fala mais alto, que Fala Primeiro” com 170,0 pontos, Unidos da Tijuca com enredo “Cama, Mesa e Banho de Gato” com 169,0 pontos.

 Foram rebaixadas para o Grupo 1B as escolas: Unidos da Ponte e Unidos da Tijuca.

 Grupo: 1B (AESCRJ) Passarela do Samba – 07/02

Unidos do Jacarezinho com enredo “Candeia, Luz de Inspiração” com 204,0 pontos Campeã, São Clemente com enredo “Pouca Saúde, Muita Saúva, os Males do Brasil São” com 198,0 pontos Vice-Campeã, Independente de Cordovil com enredo “Quem não discute, Tem que Engolir” com 188,0 pontos, Acadêmicos do Engenho da Rainha com enredo “Ganga, Zumba, Raiz da Liberdade” com 187,0 pontos, Em Cima da Hora com enredo “Terra Brasilis” com 187,0 pontos, Arranco do Engenho de Dentro com enredo “Sai mais Uma” com 186,0 pontos, Unidos de Lucas com enredo “No Ano da Copa, Bota no Meio” com 184,0 pontos, Acadêmicos de santa Cruz com enredo” E Você, o Que é que Dá” com 182,0 pontos, União de Jacarepaguá com enredo “No Cheiro, no Trago, no Mastigo ou de Baforada” com 175,0 pontos.

 Sobem para o Grupo 1A a Escolas: Unidos do Jacarezinho e São Clemente. 

 Foram rebaixadas para o Grupo 2A (AESCRJ) na Avenida Rio Branco as Escolas: Acadêmicos de Santa Cruz e União de Jacarepaguá.

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https://www.youtube.com/results?search_query=mundo+do+carnaval

 Referencias: galeriadosamba, pedromigao, liesaglobo,

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