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1992 – O Nosso Desvairado Carnaval – Parte I

1992 – Finalmente depois de dois anos sem alteração nossa família se movimentou, havia nascido a minha bela menininha Raphaela também filha da Denise. No mundo do samba nós continuamos agitando meu irmão Edson era Diretor de Harmonia da Unidos da Ponte e no Unidos de Lucas, eu iria desfilar pela primeira vez como ritmista no Acadêmicos do Salgueiro e seguia na Estácio de Sá, o meu sobrinho Marcelo também na Estácio de Sá. Outros eventos ocorreram, conheci toda a família Izidoro a Dona Dilene mãe do Ronaldo que carinhosamente eu a chamo de nossa mãe, porque ela abraçou todos do grupo realmente como seus filhos. O tio Jorge irmão de D. Dilene, Ronaldo tem ainda os irmãos: Walmir e sua esposa Maria, Waldo também ritmista e sua esposa Deca, a sua irmã Vanda e seu cunhado Marco outro ritmista, e vários outros amigos da família. Este encontro ocorreu na noite da escolha do samba na quadra do Salgueiro, outro fato foi o meu encontro com o diretor auxiliar Sapo, que no ano anterior havia informado que todos os “ritmista de marcação eram do morro do Salgueiro”, pois é naquele sábado falei para ele que não havia me mudado para o morro e sairia como ritmista tocando surdo de primeira. Na Estácio de Sá também ocorriam coisas, depois de uma desgastante espera para apanhar a fantasia, o Presidente Acyr Pereira Alves informou que somente entregaria a fantasia aquele ritmista que se comprometesse a devolvê-la para reciclagem, esta informação seria uma coisa normal se não tivesse surgido depois de quase um dia inteiro aguardando para pegar a fantasia e se não fosse de forma intimidadora. Lógico que gerou um conflito, depois de algum tempo todos os ritmistas concordaram em assinar, pois tramamos uma virada naquela situação. Como todos sabiam a quadra da Estácio de Sá era na zona do mangue, próximo á Avenida Presidente Vargas, quando a concentração ocorria no lado dos Correios às vezes os ritmistas pegavam suas peças diretamente na quadra. Era segunda feira dia 02/03/1992, a escola estava linda e deslumbrante. Após pegarmos nossas peças fizemos uma reunião relâmpago com o mestre Ciça e comunicamos que se aquela condição de assinarmos um documento nos obrigando a devolvermos a fantasia não fosse cancelada, nós não desfilaríamos logico que o mestre Ciça resolveu aquela questão e não seríamos mais obrigado a realizar a devolução, somente quem quisesse entregava. Discórdia resolvida, fomos para nossa concentração e realizamos aquele desfile memorável com o enredo “Paulicéia Desvairada – 70 Anos de Modernismo” dos carnavalescos Mario Monteiro e Chiquinho Spinoza. Quando entramos na avenida e percebemos toda aquela agitação das arquibancadas o publico parecendo ensandecidos, com a nossa escola cantando e batendo palmas com aquela coreografia espetacular do setor um ao setor treze, e gritando é campeã, ficamos também todos extasiados. Ainda com a Estácio de Sá no momento samba também e cultura, meu sobrinho Marcelo estava em época de provas e um dos temas para redação foi o Modernismo, peguei a letra do samba enredo dei para ele e ficou fácil a realização da prova. A Força da Unidos do Viradouro durante a realização de seu desfile, um dos seus mais belo carro alegórico é completamente destruído pelas chamas em plena Avenida Marques de Sapucaí, ao mesmo tempo em que reparamos a dor no rosto de seus componentes também é possível ver a garra em manter o desfile, o espetáculo e principalmente manter a escola no grupo de elite das escolas de samba. Tivemos ainda o nosso desfile na Acadêmicos da Rocinha Eu, Valdo e Ronaldo, depois de uma maratona de idas e vindas para pegar as nossas fantasias, em uma noite quando finalmente achávamos que simplesmente pegaríamos as roupas ainda havia o famigerado teste na quadra lá na comunidade, falamos com o diretor geral e explicamos nossa situação de que estávamos ali a convite de um diretor e ainda quais as escolas que erámos desfilantes e assim tivemos as roupas liberadas sem a necessidade do teste. A escola até se apresentou bem tinha um bom samba cantado maravilhosamente bem pelo Rixxa, boas fantasias a bateria cumprido o seu papel com um bom ritmo, porém ficou claro na quele desfile que a escola não esta unida ocorreram alguns incidentes e a Rocinha acabou cometendo falhas que a prejudicaram. Por tudo isto o ano de 1992 definitivamente entrou para nossa história do Carnaval.

Estácio de Sá

Com uma apresentação que excedeu toda e qualquer expectativa, mesmos as mais otimistas foram excedidas a Estácio de Sá fez um desfile inesquecível. Com o enredo dos carnavalescos Mário Monteiro e Chico Spinoza sobre os 70 anos da Semana de Arte Moderna de São Paulo. Desde os primeiros versos entoados pelo cantor Dominguinhos, o público ficou enlouquecido com o samba-enredo, que, além de popular, contava muito bem o enredo em homenagem aos grandes artistas que emplacaram o Modernismo no Brasil, como Villa Lobos, Di Cavalcanti, Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, Ronald de Carvalho, entre outros. O nome do enredo, “Pauliceia Desvairada”, remetia ao título de um livro de Mário de Andrade. A comissão de frente formada por componentes com pernas de pau é inesquecível até hoje, e o abre-alas retratando o Teatro Municipal da capital paulista ficou imponente. Outra alegoria que chamou muito a atenção, e até hoje é lembrada pelos amantes dos desfiles de escola de samba, foi a do Trem Caipira. O carro, embora não tão gigante, era muito bem resolvido e teve um grande efeito, até porque fazia o clássico “piuí” no meio da pista. As fantasias também apresentaram o enredo com correção, tinham diversas cores, sem deixar de lado o vermelho e branco da escola, e permitiam ainda uma evolução vibrante durante todo o tempo, sem que os componentes se cansassem. Um dos momentos mais bacanas foi à passagem da ala das crianças, com fantasias brancas de pierrots. A alegria dessas crianças chegou a ser comovente, numa pura demonstração do que é carnaval na essência. Com incrível euforia, o público nos setores de arquibancada até fez coreografia para acompanhar o samba, que, além de empolgante, tinha um refrão central que era um chiclete para os ouvidos: “Me dê, me dá/Me dá, me dê/Onde você for/Eu vou com você!”. A catarse era tanta, que a modelo Luciana Sargentelli, não parou de sambar em cima de um dos carros alegóricos mesmo com os pés sangrando por ela ter pisado em pedaços cortantes que se soltaram do acabamento. Além da própria beleza, a garra de Luciana até hoje é lembrada. Quando a escola chegou à Praça da Apoteose, parecia que o desfile ainda estava começando, tamanha a energia de componentes e público, que não parava de cantar “é campeã”. Simplesmente memorável.

 Acadêmicos do Salgueiro

Entra na avenida com sua irreverencia, com um excelente enredo sobre a história do café. O carnavalesco Mário Borriello, que assumiu o barracão depois da saída de Flávio Tavares, optou por alegorias que tentavam tratar o tema com bom humor, mas que acabaram formando um conjunto de altos e baixos. O abre-alas com uma enorme escultura de um preto velho socando o café no pilão, o conjunto de fantasias estava superior ao de alegorias e o samba muito bom foi sustentado como sempre, com brilhantismo pela bateria do Mestre Louro. O intérprete Quinho, fugindo um pouco das suas características, até que se conteve mais nos cacos e, com isso, teve uma condução ainda mais segura. Os cinco mil desfilantes desfilaram bastante animados e com uma evolução precisa do começo ao fim de uma apresentação que credenciava a Vermelho e Branco a ficar nas primeiras colocações.

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Referencias: OurodeTolo,