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1998 – A Mudança e as Campeãs

1998 – Mestre Ciça deixa a Estácio de Sá e vai para a Unidos da Tijuca, novas mudanças são implementadas em nossas rotinas. Agora tínhamos Estácio de Sá, Unidos da Tijuca e Salgueiro, durante o processo de entrega de fantasias na Unidos da Tijuca, o mestre Ciça informou que havia separado a minha fantasia e a de outros cincos ritmistas, que eu deveria pegá-la em sua residência e faltavam os sapatos que deveria sem comprados por mim, uma vez que era calçado convencional de cor branca. Durante nossa concentração as fantasias representava a Cruz de Malta, o conjunto de fantasias era um grande mosaico, infelizmente não foi possível formar o que a escola havia planejado. Após diversas tentativas de posicionamento dos ritmistas em suas posições de acordo com a fantasia que estava usando, o Ciça acabou desistindo deste intento uma vez que os cabeças duras dos ritmistas não ficavam em seus lugares determinados, pois alguns estavam preocupados com as câmeras de televisão. Lamentavelmente a Unidos da Tijuca neste ano foi rebaixa para o Grupo A. Novamente as escolas apresentaram bons enredos e ótimos sambas tanto que tivemos duas escolas campeãs a Beija-Flor de Nilópolis com o enredo “O Mundo Místico dos Caruanas nas Águas do Patu-Anu” e a Estação Primeira de Mangueira com enredo “Chico Buarque da Mangueira” ambas com 270,0 pontos. A União da Ilha do Governador depois de quase ser rebaixada no ano de 1997 apresentou como enredo a fascinante história do fotógrafo francês Pierre Verger, que se converteu ao candomblé no Brasil, o magnífico samba enredo cantado pelo intérprete Rixxa. A Unidos do Viradouro também apresentou um grande enredo “Orfeu, O Negro do Carnaval” e fez um magnifico desfile. Mantendo ainda a qualidade dos grandes enredos e sambas no grupo A. Tivemos a vitória do Império Serrano que torcemos fortemente que a escola retome o seu caminho de grandes conquistas.

1998 – A Mangueira causou excelente impressão logo com a comissão de frente. Os componentes estavam muito bem fantasiados e simbolizavam a Ópera do Malandro, um dos clássicos de Chico, com uma coreografia sensacional. O carro abre-alas, chamado “Para ver a banda passar” tinha bons efeitos em neon na palavra Mangueira e reunia amigos do cantor, como João Nogueira, Nana Caymmi, Maria Bethânia e Zizi Possi. Outros amigos, como Beth Carvalho e Gilberto Gil, desfilaram no chão. As demais alegorias também respeitavam as cores da escola e contavam bem o enredo, embora não fossem tão luxuosas as fantasias também estavam leves e corretas. As alas estavam divididas com coerência e passeavam pelos sucessos de Chico e o lado político do cantor, especialmente na época da ditadura militar. O grande homenageado desfilou com um terno rosa, camisa verde e chapéu Panamá no luxuoso carro dos baluartes, ao lado do inesquecível Carlos Cachaça, numa cena emocionante. O público não parou de aplaudir Chico em nenhum momento e o gênio retribuiu sempre sorrindo e tirando o chapéu. O fim do desfile reservou outra agradável surpresa, uma ala formou um mosaico com o rosto de Chico, em alusão à canção “Retrato em Branco e Preto”, e rendeu ótimo efeito. O público aplaudiu com entusiasmo e recebeu a escola na Apoteose com os gritos de “é campeã”.

1998 – A Beija-Flor de Nilópolis fez uma boa apresentação sem duvida superior ao desfile de 1997, embora com tema confuso. O enredo era baseado no livro “O mundo místico dos Caruanas e a revolta de sua ave”, a obra contava sobre as lendas e tradições dos índios daquela região. O samba, embora de ótima melodia e maravilhosamente conduzido por Neguinho, falava sobre Patu-Anu, surgimento do Girador, que criou as sete cidades governadas por Auí, índios Caruanas. Complicada, não? As alegorias eram grandes e imponentes, mas as fantasias, mesmo bem acabadas, se mostraram pesadas, o que dificultou a vida dos componentes. Apesar disso, a comunidade nilopolitana como sempre cantou o samba, que teve ótimo acompanhamento por parte da bateria. Pena que no fim do desfile houve uma certa correria entre as últimas alas, que se mostraram um tanto emboladas, pois o tempo de 80 minutos estava acabando. Diante disso tudo, e com a pouca receptividade por parte do público, parecia difícil a Beija-Flor brigar com Mangueira, Imperatriz e Viradouro pelo título, apesar de ter passado correta na maioria dos quesitos.

Aconteceu no Carnaval

1998 – Mangueira depois de 11 anos e Beija-Flor pela primeira vez no sambódromo faturam o campeonato. Apesar do belo desfile, A Unidos do Viradouro perde preciosos pontos em bateria, samba-enredo e mestre-sala e porta-bandeira e fica longe do bicampeonato.

1998 – Mudança no regulamento marcou o julgamento que teria mais jurados, subindo de quatro para cinco por quesito. Seriam descartadas a menor e maior notas de cada quesito na apuração, este método foi o responsável pelo o resultado apresentando duas escolas campeãs.

1998 – Mestre Odilon comanda a bateria da Grande Rio.

1998 – Foi o último desfile transmitido pela TV Manchete, que naquela altura já estava em crise profunda.

1998 – Foi a primeira conquista da Beija-Flor no sambódromo.

1998 – Pouco depois dos desfiles, foram produzidos dois CDs bem bacanas: um com os sambas gravados durante as apresentações oficiais das escolas e outro só com os esquentas de cada agremiação naquele ano.

1998 – Falando em gravações, o Salgueiro, insatisfeito com a Gravasamba, resolveu comercializar um próprio compacto com seu samba-enredo.

1998 – Jamelão conquistou seu último prêmio do Estandarte de Ouro.

1998 – Império Serrano, com enredo “Sou ouro negro da Mãe África”, venceu o Grupo de Acesso com nota máxima em tudo.

1998 – Em outro resultado muito contestado pelos amantes do carnaval. A São Clemente foi a Vice-Campeã, também ascendeu ao Grupo Especial com enredo sobre “os poderes do povo”.

Morreram:

Em 02/05/1977 Sebastião Balbino, compositor da Portela.

Em 06/04/1997 José Geraldo de Jesus, o “Candonga”, sambista, figura folclórica da Cidade.

Em 11/04/1997 Castor de Andrade, Presidente de Honra da Mocidade Independente de Padre Miguel.

Em 12/05/1997 Germano Vieira Soalheiro, ritmista, cantor, produtor.

Em 26/05/1997 Jair da Silva, o Jajá da Mangueira, autor de samba enredo Lendas do Abaeté (1973) e Parapanan, o Segredo do amor.

Em 10/08/1997 Ney Gaspar Gonçalves, ex-presidente da Unidos de Jacarezinho.

Em 10/09/1997 Almir Nogueira (Roxinho), mestre sala da Mocidade Independente.

Em 18/01/1998 Alberto Lonato, compositor da Portela.

Em 06/02/1998 Silvinho da Portela, puxador de samba.

Em 07/02/1998 Assassinado, Nicolau Darze Presidente do G.R.E.S. Santa Cruz.

Em 07/02/1998 Assassinado, Roberto Costa Diretor de Carnaval do G.R.E.S. Santa Cruz.

Em 1998 Jorge Branco, Diretor de Harmonia da Vila Isabel.

Desfile das Escolas de Samba

O carnaval de 1998 teve o seguinte resultado: Grupo Especial (LIESA) Passarela do Samba – 22 e 23/02

Beija-Flor de Nilópolis com enredo “O Mundo Místico dos Caruanas nas Águas do Patu-Anu” com 270,0 pontos Campeã, Estação Primeira de Mangueira com enredo “Chico Buarque da Mangueira” com 270,0 pontos Vice-Campeã, Imperatriz Leopoldinense com enredo “Quase no Ano 2000” com 269,5 em Terceiro, Portela com enredo “Os Olhos da Noite” com 264,0 pontos, Unidos do Viradouro com enredo “Orfeu, O Negro do Carnaval” com 262,5 pontos, Mocidade Independente de Padre Miguel com enredo “Brilha no Céu a Estrela que Me faz Sonhar” com 261,5 pontos, Acadêmicos do Salgueiro com enredo “Parintins, a Ilha do Boi-Bumbá: Garantido X Caprichoso, Caprichoso X Garantido” com 261,5 pontos, Acadêmicos do Grande Rio com enredo “Prestes O Cavalheiro da Esperança” com 258,5 pontos, União da Ilha do Governador com enredo “Fatumbi, A Ilha de Todos os Santos” com 255,0 pontos, Caprichosos de Pilares com enredo” Negra Origem, Negro Pelé, Negra Bené” com 253,5 pontos, Tradição com enredo “Viagem Fantástica ao Pulmão do Mundo” com 267,0 pontos, Unidos de Vila Isabel com enredo “Lágrimas, Suor e Conquistas no Mundo em Transformação” com 246,0 pontos, Unidos da Tijuca com enredo “De Gama a Vasco, a Epopéia da Tijuca” com 238,0 pontos, Unidos do Porto da Pedra com enredo “Samba no Pé e Mão ao Ato, Isto é um Assalto” com 233,0 pontos.

Foram rebaixadas para o Grupo A as escolas: Unidos da Tijuca, Unidos do Porto da Pedra.

Grupo: A (AESCRJ) Passarela do Samba – 21/02

Império Serrano com enredo “Sou o Ouro Negro da Mãe África” com 180,0 pontos Campeã, São Clemente com enredo “Maiores são os Poderes do Povo! Se Liga na São Clemente!” com 178,0 pontos Vice-Campeã, Acadêmicos de Santa Cruz com enredo “O Exagerado Cazuza nas Terras de Santa Cruz” com 176,0 pontos, Acadêmicos do Cubango com enredo “Nausicaa – A Odisseia Cubanga nos Verdes Mares com 176,0 pontos, Império da Tijuca com enredo “Elymar Super Popular” com 176,0 pontos, Unidos da Ponte com enredo “Quem Pode, Pode, no Pagode se Sacode” com 175,5 pontos, Em Cima da Hora com enredo “Quem é Você, Zuzu Angel? Um Anjo Feito Mulher” com 169,0 pontos, Estácio de Sá com enredo “Cem Anos de Cultura – Academia Brasileira de Letras” com 166,5 pontos, Acadêmicos da Rocinha com enredo “Tá…Na Ponta da Língua” com 159,5 pontos, Lins Imperial com enredo “Búzios: O Paraíso da Humanidade” com 154,5 pontos.

 Sobem para o Grupo Especial as Escolas: Império Serrano, São Clemente.

Foram rebaixadas para o Grupo 3 (AESCRJ): Acadêmicos da Rocinha, Lins Imperial.

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 Referencias: galeriadosamba, liesanet, ourodetolo, apote