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2002 – A Turma e o Tempo!

2002 – Neste ano estávamos comemorando a chegada de nossa mais nova princesinha, havia nascido à linda Gisele filha do nosso querido casal Gerônimo e minha sobrinha Fabiane.

Deixei de falar no ano de 1972 sobre alguns jovens que moravam no bairro de Vigário Geral na Rua Alvarenga Peixoto, que criaram a Turma do Pêssego com o objetivo de reunir o maior número possível para aproveitarmos todas às delicias do carnaval carioca. E para falar com sinceridade parece que ele foi conseguido, alguém idealizou nossas fantasias e lá estávamos, um imenso grupo de jovens formados por irmãos, primos e amigos, erámos uma grande família. Íamos aos bailes do clube 18 de Julho em Olaria, aos carnavais da Avenida Monsenhor Felix em Irajá e na Estrada da Água Grande em Vista Alegre.

Durante algum tempo venho mantendo contatos com vários ex-participantes desta Turma e cada um deles como era natural tinha uma lembrança de uma parte desta grande história. Meu irmão Edson em algum momento lembrou-se dos desfiles na Penha, há alguns dias atrás o Ailtom tio do Thyago e Raphaela, também comentou a respeito deste evento, lembrou inclusive que era desfilante da Imperatriz Leopoldinense. Lembrei que em algum momento o Edson comentou a respeito do Unidos de Lucas, Tupy de Brás de Pina, Império Serrano, todos participantes de um grande desfile realizado na Penha.

Voltando a Turma do Pêssego o que começou como uma grande brincadeira acabou se transformando em uma ala para o bloco Boêmios de Irajá, com o passar do tempo uma parte foi para o Bafo da Onça. O fato é que foram grandes e bons tempos e de muitas alegrias. Neste ano de 2002 tivemos um espetacular final de campeonato, tendo a Estação Primeira de Mangueira como Campeã com a diferença de apenas um décimo de vantagem sobre a Beija-Flor de Nilópolis.

Mangueira

Do carnavalesco Max Lopes com o enredo sobre o Nordeste “Brazil com Z é pra Cabra da Peste, Brasil com S, é nação do Nordeste” levou para avenida a cultura nordestina, a Verde e Rosa fez uma arrebatadora apresentação, que credenciou a escola como favorita ao título. O desfile apresentado lembrou os tempos áureos da Estação Primeira de Mangueira, com muita garra, valentia e  samba no pé. Além do conjunto visual o enredo foi apresentado com criatividade e acabamento de qualidade.

O samba-enredo, que já era tido como o melhor da safra de 2002, rendeu de forma estupenda, como sempre defendido com categoria pelo inesquecível Jamelão. A bateria de Mestre Russo imprimiu um veloz andamento ao samba, mas com muita firmeza e consistência do começo ao fim, com destaque para os desenhos de tamborins e a marcação seca e precisa do surdo um. A comissão de frente comandada por Carlinhos de Jesus deu mais um show, representando o casamento de Maria Bonita e Lampião, com direito a padre e cinco retirantes, que carregavam malas remendadas de onde saíam dançarinas vestidas de bonecas estas, aliás, passaram por severa dieta na fase pré-carnavalesca e aulas de contorcionismo para poderem entrar nessas caixas com rodas que simbolizavam as valises. Outra surpresa, quando a comissão se apresentava no meio da pista, um balão de gás com um cartaz escrito “paz” foi erguido quando uma das malas foi aberta.

Max Lopes também surpreendeu o público nas alegorias. O abre-alas era quase todo branco com 47 cangaceiros da paz, que montados em seus cavalos, agitavam bandeiras brancas com pombas prateadas desenhadas. O segundo carro representou as épocas de ocupações francesa e holandesa, e os “cabras da peste” que espantavam esses invasores. A alegoria “Folclore, o auto do povo”, sobre os diversos rituais da região, mesclando dourado, branco e rosa. O carro alegórico que mais empolgou foi o do arraiá com a inscrição “Mangueira traz pra Avenida o maior São João do Mundo”. Nesta alegoria, dezenas de pessoas dançavam quadrilha maravilhosamente fantasiadas, ladeadas por cercadinhos, bandeirinhas típicas e esculturas infantis de animais e árvores.

Beija-Flor de Nilópolis

Com três vice-campeonatos consecutivos, a Beija-Flor de Nilópolis entrou com força na Avenida e fez mais uma boa apresentação com o enredo “O Brasil dá o Ar da sua Graça. De Ícaro a Ruben Berta, o Ímpeto de Voar” abordou o sonho do homem em voar, em que ele se inspirou para encarar este desafio e as realizações da aviação. Antes do desfile, uma polêmica, como de costume com a Igreja Católica, a escola foi obrigada a retirar as imagens de São Jorge e Nossa Senhora Aparecida que pretendia colocar numa alegoria. Algumas alegorias apresentaram irregularidades, porém, as fantasias estavam impecáveis e era praticamente uma certeza de quatro notas dez, até porque proporcionaram uma belíssima divisão cromática, com muitas cores, mas tons que não pesavam.

O samba contava bem o enredo e era muito agradável, e Neguinho mostrou a categoria de sempre na condução. A bateria do Mestre Paulinho, com o naipe de frigideiras “falando” bem alto, uma cadência adequada ao samba. A escola também esteve perfeita no quesito harmonia, mas nem tanto em evolução. A Beija-Flor fez sem dúvida o desfile mais quente do domingo e foi recebida na Apoteose com gritos de “campeã”. Mas, se a escola esteve impecável em parte dos quesitos, a clara irregularidade do conjunto de alegorias poderia custar a tão sonhada vitória.

Aconteceu no Carnaval

2002 – A LIESA realiza alteração no julgamento em muitos anos, as notas poderiam ser fracionadas em todas as casas decimais e não apenas em meio ponto. O número de jurados também mudou, aumentando de 30 para 40. A alegação da Liesa foi a de tornar os resultados mais justos, já que, com mais jurados e sem descarte de notas, as distorções teoricamente seriam diminuídas.

2002 – Outra novidade foi o anúncio de que a iluminação do sambódromo seria customizada para cada escola, com canhões de luzes com as cores das agremiações. A ideia era valorizar a divisão cromática das escolas nos respectivos desfiles, mas temia-se por falhas técnicas pela variação no acendimento dos refletores, o que acabaria não acontecendo. Cerca de R$ 3 milhões foram investidos nos syncrolites e citycolors (canhões que permitem diminuir e aumentar a intensidade de luz, possibilitando também a troca de cor). A direção artística do projeto é assinada por Aloysio Legey, diretor de núcleo da Globo. O novo sistema tem o dobro da potência dos 384 refletores do sambódromo, passando de 750 kW para 1.500 kW. São 72 canhões syncrolites mais de 40 toneladas de equipamento.

2002 – A TV Globo realizou no RJ TV um concurso para escolher a melhor passista mirim. Ganhou Raíssa, da Beija-Flor, que se tornou a mais jovem rainha de bateria da história, com apenas 11 anos.

 2002 – A CNT passou a transmitir regularmente os desfiles do Grupo de Acesso A e adotou um slogan que fez sucesso entre os telespectadores: “Carnaval do Povão”.

2002 – Foi o último título da Mangueira, mas definitivamente a última vez em que Jamelão foi campeão com a Verde e Rosa. O intérprete fez parte de 14 campeonatos da Estação Primeira (1949, 1950, 1954, 1960, 1961, 1967, 1968, 1973, 1984, 1984 supercampeonato, 1986, 1987, 1998 e 2002).

2002 – David Corrêa conquistou sua sétima e última vitória na eliminatória de samba da Portela, superando Candeia e Waldir 59. O compositor (com seus parceiros) venceu em 1973, 1975, 1979, 1980, 1981, 1982 e 2002. Ele ainda ganhou em outras agremiações da elite do Carnaval, como Salgueiro (1984), Vila Isabel (1985 e 1986), Imperatriz (1988), Mangueira (1994) e Estácio de Sá (1995).

2002 – Quinho fez seu segundo e último desfile como cantor da Grande Rio. No ano seguinte, ele voltaria para o Salgueiro.

2002 – O município de Campos ameaçou processar a Imperatriz Leopoldinense, alegando que a escola não cumpriu o que prometera em contrato, ou seja, mostrar as belezas da cidade. Rosa Magalhães à época teria afirmado que a opção por abordar os índios goytacazes foi porque Campos não teria grandes riquezas a serem mostradas.

2002 – A BMG apresentou uma novidade no CD de sambas-enredo. Além das obras daquele ano, um outro CD tinha sambas históricos remasterizados de cada uma das 14 agremiações. Mas, como a gravadora só havia produzido os discos/CDs das escolas de 1986 para a frente, apenas sambas desses anos foram escolhidos. Os destaques foram: “Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós” (Imperatriz-1989), “100 anos de liberdade, realidade ou ilusão” (Mangueira-1988), “Peguei um Ita no Norte” (Salgueiro-1993), “Gosto que me enrosco” (Portela-1995) e “E verás que um filho teu não foge à luta” (Império Serrano-1996).

2002 – Foi o primeiro ano no qual a Portela teve alas de comunidade, em resposta ao desfile frio do ano anterior.

Morreram:

Em 13/04/2001 Oswaldo Sargentelli, jornalista criador do show das mulatas.

Em 19/08/2001 Luiz Carlos de Andrade e Silva, o chocolate, compositor da São Clemente.

O carnaval de 2002 teve o seguinte resultado: Grupo Especial (LIESA) Passarela do Samba – 10 e 11/02

Estação Primeira de Mangueira com enredo “Brazil com Z é pra Cabra da Peste, Brasil com S é Nação do Nordeste com 399,5 pontos Campeã, Beija-Flor de Nilópolis com enredo “O Brasil dá o Ar da sua Graça”. De Rubem Berta, o Ímpeto de Voar” com 399,4 pontos Vice-Campeã, Imperatriz Leopoldinense com enredo “Goitacazes…Tupi or not tupi in a South American Way” com 396,1 pontos em Terceiro, Mocidade Independente de Padre Miguel com enredo “O Grande Circo Místico” com 395,0 pontos, Unidos do Viradouro com enredo “Viradouro, Viramundo, rei do Mundo” com 394,1 pontos, Acadêmicos do Salgueiro com enredo “Asas de um Sonho Viajando com o Salgueiro o Orgulho de ser Brasileiro…” com 392,9 pontos, Acadêmicos do Grande Rio com enredo “Os Papagaios Amarelos nas terras Encantadas do Maranhão” com 391,0 pontos, Portela com enredo “Amazonas, esses desconhecido. Delírios e Verdades do Eldorado Verde” com 388,9 pontos, Império Serrano com enredo “Aclamação e Coroação do Imperador da Pedra do Reino: Ariano Suassuna” com 384,7 pontos, Unidos da Tijuca com enredo “O Sol Brilha Eternamente sobre o Mundo  de Língua Portuguesa” com 380,8 pontos, Unidos do Porto da Pedra com enredo “Serra acima, Rumo a Terra dos Coroados” com 378,9 pontos, Caprichosos de Pilares com enredo “Deu pra ti! Tô em alto astral! Tô com Porto Alegre, Trilegal!” com 368,4 pontos, Tradição com enredo “Os Encantos da Costa do Sol” com 361,6 pontos, São Clemente com enredo “Guapimirim, Paraíso ecológico Abençoado pelo Dedo de Deus” com 356,2 pontos.

Foram rebaixadas para o Grupo A as escolas: São Clemente

Grupo: A (AESCRJ) Passarela do Samba – 09/02

Acadêmicos de Santa Cruz com enredo “Papel – Das Origens à Folia – História, Arte e Magia” com 194,0 pontos Campeã, Unidos de Vila Isabel com enredo “O Glorioso Nilton Santos…Sua bola, sua Vida nossa Vila…” com 199,3 pontos Vice-Campeã, União da Ilha do Governador com enredo “Folias de Caxias: de João a João…É o Carnaval da União” com 197,4 pontos, Paraíso do Tuiuti com enredo “Arlindo, Arlequins e Querubins: Um Carnaval no Paraíso” com 196,6 pontos, Leão de Nova Iguaçu com enredo “Do Esplendor Diamantino aos Sonhos Dourados de Juscelino” com 196,6 pontos, Boi da Ilha do Governador com enredo “Boi da Ilha é Holambra, a Tulipa Brasileira” com 194,0 pontos, Acadêmicos da Rosinha com enredo “Na Rocinha, o Povo é Sempre Notícia” com 191,9 pontos, Estácio de Sá com enredo “Nos Braços do Povo, na Passarela do Samba…Cinquenta Anos de O Dia” com 190,3 pontos, União de Jacarepaguá com enredo “Assas: Sonho de muitos, Privilégio de poucos, Tecnologia de Todos” com 188,7 pontos, Unidos da Ponte com enredo “De Minas para o Brasil, o Mártir da Nova República” com 187,1 pontos, Unidos da Villa Rica com enredo Sou Rio, sou Grande, sou Villa Rica do Norte” com 183,4 pontos, Império da Tijuca com enredo “Vossa Excelência: Feijão com Arroz” com 180,5 pontos.

Sobem para o Grupo Especial as Escolas: Acadêmicos de Santa Cruz

Foram rebaixadas para o Grupo 3 (AESCRJ): Unidos da Villa Rica, Império da Tijuca

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 Referencias: wikipédia, novosbambas, pedromingão, liesanet

Comments (8)

  1. Adorei estás histórias muito bom