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A Chuva – 1966

Em 1966 as fortes chuvas que caíram sobre a cidade durante as semanas que antecederam o Carnaval do Rio de Janeiro, indicavam que teríamos o pior desfile de todos os tempos, grande era a destruição e a dor das perdas que ainda estavam na memória da população. As escolas tiveram enormes prejuízos em seus barracões, o Império da Tijuca teve seu barracão completamente arrasado com perda total. A escola foi para avenida somente com um grupo de sambistas sem tocar ou dançar, frente a esta calamidade parecia que o carioca não encontrava motivo para brincar o carnaval. Entretanto, nossos governantes acreditavam que o incentivo ao carnaval minimizaria a dor.

1966 – A Portela com o enredo “Memórias de Um Sargento de Milícias” da obra escrita no século XIX por Manuel Antônio de Almeida, desenvolvido pelo carnavalesco Nelson Andrade entra na avenida já na manhã de segunda-feira. Em seu carro abre-alas destacava-se uma tabuleta com os dizeres “Era no tempo dos Reis”, indicando o retorno ao passado que a escola se propôs a fazer. Logo após, vinha à comissão de frente e a seguir Daise Barbosa, interpretando a personagem Carlota Cristina. A Portela se apresentou com o samba enredo de autoria de Paulinho da Viola.

Em 1966 Julinho da Mangueira quis inovar. O enredo seria um tributo ao maestro Heitor Villa-Lobos, realizando pioneiramente uma mixórdia entre as culturas erudita e popular. Era claro para todos o fato da Mangueira ser a escola de coração de Villa-Lobos, o maestro também tinha uma grande admiração pelo compositor Cartola. Embalada pelo poderoso samba de Jurandir e Cláudio, a verde e rosa apresentou um espetáculo maravilhoso na passarela da Candelária.

1966 – O Império Serrano em plena década de glória de um compositor Silas de Oliveira, o maior deles, com o enredo que homenageou a Bahia. “Glória e graças da Bahia”, não rendeu uma de suas melhores obras.

imprioserrano-1966

1966 – Após os desfiles das Escolas de Samba e recuperados desta grande maratona, meus pais ainda nos levam para o centro da cidade na Avenida Rio Branco. O nosso trecho preferido era a partir do Edifício Avenida Central que foi construído no ano de 1961 até a Cinelândia, como já estávamos todos bem crescidinhos podíamos brincar mais livremente, logico que de algumas fantasias todos literalmente tínhamos medo e corríamos para perto de nossos pais. Passado o susto voltávamos para a farra, vimos um grande grupo de pessoas fantasiados de índios, o curioso é que eles não paravam quietos. Era o Cacique de Ramos, estávamos tendo o nosso primeiro contato com aquele que mais tarde ser tornaria um símbolo emblemático para o nosso carnaval.

 

1966 – Parecia ser o ano de agradáveis surpresas, depois de conhecermos aquele enorme bloco cheio de índios, acabaríamos também por conhecer outro gigante desta vez era a onça. Na verdade era o Bloco Carnavalesco Bafo da Onça, como já estávamos todos muitos cansados não ficamos para ver direito este bloco, fomos para a casa mais eu senti que entre os dois blocos eu fiquei mais feliz com a onça.

Aconteceu no Carnaval

Prejudicada pelas chuvas que castigaram a cidade, a Império da Tijuca desfilou de maneira simbólica, como homenagem ao governo e ao povo do Rio de Janeiro, agradecendo à Associação das Escolas de Samba e às escolas coirmãs pela solidariedade prestada. Como reconhecimento pelas dificuldades enfrentadas, a agremiação não foi rebaixada de grupo.

Este foi o único samba enredo realizado por Paulinho da Viola.

Na preparação daquele carnaval um incêndio ocorreu no barracão da Estação Primeira de Mangueira, Quando incendiou as alegorias. Julinho contava que tinha ido trabalhar embaixo de um viaduto aberto Ele teve varias crises de rins e estava muito mal, foi dormir quando chegou à madrugada deixando a alegoria de Villa-Lobos em papel marche por terminar. Quando acordou de manhã a alegoria esta pronta e toda pintada, e ele, que estava sozinho, declarava que não pintou! É de arrepiar.

Em 1966 O Bloco Carnavalesco Cacique de Ramos passa a categoria de hours Concours.

Desfile das Escolas de Samba

Em 1966 o Carnaval teve o seguinte resultado, Grupo 1 Candelária:

Portela com o enredo Memórias de um Sargento de Milícias com 130,0 pontos como Campeã, Estação Primeira de Mangueira com enredo “Exaltação a Villa-Lobos” com 129,0 pontos Vice-Campeã, Império Serrano com enredo Glória e graças da Bahia com 126,0 ficou em Terceiro lugar, Unidos de Vila Isabel com enredo “Três Épocas do Brasil” com 120,0 pontos, Acadêmicos do Salgueiro com enredo “Os amores célebres do Brasil” com 120,0 pontos, Mocidade Independente de Padre Miguel com enredo “Exaltação á Academia de Letras” com 103,0 pontos, Aprendizes de Lucas com enredo “A Semente de um Grande Império” com 94,0 pontos, Unidos da Capela com enredo “Oitenta e Oito anos do Samba” com 91,0 pontos, Acadêmicos de Santa Cruz com enredo “Epopéia de uma Raça” com 88,0 pontos, Império da Tijuca com enredo” A História do teatro Nacional”.

Foram rebaixadas as Escolas: Aprendizes de Lucas, Unidos da Capela e Acadêmico de Santa Cruz, a escola Império da Tijuca, não foi julgada.

Grupo 2 Avenida Rio Branco

São Clemente com enredo “Apoteose ao folclore Brasileiro” com 126,0 pontos como Campeã, Imperatriz Leolpodinense com enredo “Monarquia e esplendor da História” com 110,0 pontos Vice-Campeã, Unidos de São Carlos com enredo “História da Escola de Belas Artes” com 109,0 pontos, Aprendizes da Gávea com enredo ”A Vida em flor de Dona Beija” com 100,00 pontos, Independentes do Leblon com enredo “Dona beija a feiticeira de Araxá” com 91 pontos, Unidos de Jacarepaguá com enredo “Galerias de vultos Imperiais”, Unidos de Padre Miguel com enredo “Conquista de Araci”, Lins Imperial com enredo “Chiquinha Gonzaga e sua Época”, Tupy de Brás de Pina com enredo “Exaltação a Bahia”, Unidos do Cabuçu com enredo “Apoteose ao Trabalho”, Unidos da Tijuca com enredo “O Império em três Atos”, Caprichosos de Pilares com enredo “Vida e Obra de D. João VI”, Unidos do Jardim com enredo “Os Três Acontecimentos Históricos”, União do Centenário com enredo “Sua Majestade o Carnaval”, Paraiso do Tuiuti com enredo” Sonho de uma Noite de Carnaval”.

Foram rebaixadas as Escolas: União do Centenário e Paraiso do Tuiuti, não foram encontrados dados para a justificativa para algumas escolas não apresentarem notas em seus desfiles.

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Referencias:

portelaweb, wikipedia, sambariocarnaval, livro cacique de ramos.