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A Maratona 1963

1963 – Mais um carnaval e lá estávamos todos no retorno a maratona de compra de ingressos, desta vez fomos ainda mais cedo já que este seria o primeiro ano com a participação das grandes escolas na Avenida Presidente Vargas.  Havia neste ano uma novidade a manifestação de forma mais aberta, ali já se percebia as denominadas torcidas organizadas.

Este foi o ano do Acadêmico do Salgueiro, mas foi em 1958, que Nélson Andrade adotou o lema que a escola traz até os dias de hoje: “Nem melhor, nem pior apenas uma escola diferente”. Nélson também foi o responsável pela contratação do carnavalesco Fernando Pamplona para o Acadêmico do Salgueiro no ano de 1960.

Os anos 60 são um marco na história do Salgueiro. Foi nesse período que a escola conquistou três campeonatos, apresentou enredos e sambas memoráveis e contribuiu definitivamente para a mudança dos desfiles das escolas de samba.

1963 – Este ano o desfile foi realizado pela primeira vez na Avenida Presidente Vargas, na Candelária que apresentou nova estrutura uma pista mais larga, que sem duvida iria proporcionar uma melhor apresentação das escolas. Tivemos no desfile deste ano o resumo dessa década na apresentação do Salgueiro, de uma nova personagem que se encontrava à margem de nossa história oficial, Xica da Silva escrava brasileira alforriada que nasceu no Arraial do Tijuco, atual cidade de Diamantina Minas Gerais.

O Salgueiro com a apresentação de Xica da Silva inseriu com Isabel Valença uma imagem emblemática no carnaval carioca. Não foi somente esta inovação que a Acadêmico do Salgueiro apresentou, tivemos a apresentação de uma ala de 12 pares de nobres que dançavam o Minueto. Esta ala foi coreografada por Mercedes Baptista, a primeira bailarina negra do Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

O impacto deste desfile irreprochável do salgueiro fez-se ouvir o grito de “já ganhou”, que ecoava em toda vastidão da avenida, ao final do desfile a nítida sensação que algo de elevada relevância havia acontecido no carnaval carioca. O resultado incontestável, não poderia ser outro senão Salgueiro campeão.

1963 – A Portela com o enredo “Barão de Mauá e suas realizações”, provocou o espaço entre as escolas que alcançou um quilômetro, atrasando em aproximadamente 20 minutos de “branco” na avenida. Segundo o presidente da escola Nelson Andrade, a Portela atrasou de forma deliberada a sua entrada na Candelária para causar impacto.

Aconteceu no Carnaval

Ratificação, A cobrança de Ingressos para os desfiles nos anos de 1961 e 1962, foram realizadas para apresentação na Avenida Rio Branco o Departamento de Turismo providenciou a instalação de 3.500 lugares na arquibancada em frente à Biblioteca Nacional.

Cerca de 100 mil pessoas foram até o Centro da cidade para assistir 12 mil sambistas evoluindo até às 10:00 horas da manhã de segunda-feira. As escolas gastaram Cr$ 250 milhões para engrandecer a maior manifestação da cultura popular brasileira.

O tradicional atraso e a pancadaria da polícia foram comentados pela imprensa carnavalesca, mas a violência foi menor e a policia esteve mais calma que nos anos anteriores. O atraso foi de uma hora e meia.

Pela primeira vez os jurados foram distribuídos por toda a pista de desfile, em cabines individuais. As notas valiam de 5 a 10 e o meio ponto foi extinto.

Isabel Valença, a gloriosa Xica da Silva do carnaval de 1963, foi convidada para participar do desfile a fantasia no Teatro Municipal.

O pessoal da Mangueira estava particularmente irritado porque um dos jurados alegou que não poderia dar boa nota a uma escola de samba com uma combinação de cores tão feia, verde e rosa.

Desfile das Escolas de Samba

O resultado do desfiles neste ano foi: Acadêmico do Salgueiro, com enredo “Xica da Silva” com 93,0 pontos como Campeã, Estação Primeira de Mangueira, com enredo “Exaltação á Bahia” com 85,0 pontos, Vice Campeã, Império Serrano, com enredo “Rio de ontem e de hoje ou Exaltação a Mem de Sá” com 80 pontos em terceiro, Portela com enredo “Barão de Mauá e suas realizações ou Barão de Mauá Época” com 80 pontos, União de Jacarepaguá com enredo “Mestre Valentim e sua Época” com 60 pontos, Mocidade Independente de Padre Miguel, com enredo “A Minas Gerais” com 55 pontos, Unidos do Cabuçu, com enredo “Os heróis de Vila Rica” com 53 pontos, Aprendizes de Lucas, com enredo “Brasil Pátria Universal” com 44 pontos e Beija-Flor de Nilópolis, com enredo “Ceci e Peri” com 39 pontos.

Foram rebaixadas as escolas: Unidos de Bangu e Beija-Flor de Nilópolis

Referências:

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www.salgueiro.com.br, web rádio feyson, portelaweb, livro escolas de samba Sergio Cabral, galeria do samba.

Comments (2)

  1. Inclusive não sabia que um dos jurados não deu boas notas para Mangueira, devido às suas cores que as achou feias. Interessante!