INCLUSAO E DIVERSIDADE MARCAM A VIDA DE UMA SAMBISTA

 

Agora sim, para muitos, o Carnaval 2022 acabou e a rotina tradicional dos brasileiros voltam ao normal. Mas para Lu Rufino que é mãe, mulher negra, periférica, advogada, cadeirante, ativista dos direitos das pessoas com deficiência (PCD), criadora do Instituto Miss Cadeirante e Porta-Bandeira, se pudesse continuaria festejando a vida, pois para ela, Deus concedeu asas, após ter perdido os movimentos das pernas.

Cadeirante há oito anos, Lu Rufino diz que “o céu é o limite” e fica indignada quando dizem que “cadeirante é doente e não precisa se divertir”. Pelo contrário, temos direito de nos divertir e ter a nossa cidadania respeitada, afirma.

Para algumas pessoas, ela é um exemplo de vida, superação e de inspiração. Aprendeu a sambar, é porta-bandeira da escola de samba Embaixadores da Alegria e também já esteve em Londres a convite do governo Britânico. Criou o concurso Miss Cadeirante, em 2017, mostrou que a cadeira de rodas não é impeditivo para uma vida feliz, com amor, trabalho, sexo e outros.

Na pandemia ela transformou o projeto Miss Cadeirante em uma ONG, fizeram parcerias e hoje ajudam a 255 famílias com deficiência e em vulnerabilidade financeira. “Eu descidi retribuir por tudo que Deus me deu na vida. Eu não me sinto guerreira e nem exemplo de vida. Faço apenas, o que qualquer um pode fazer.”

Para Lu, o mês de abril foi muito importante e agitado, pois no último dia 29 de abril, a Escola de Samba Embaixadores da Alegria, se apresentou pela 14ª vez, antes do desfile das campeãs do grupo especial, na Sapucaí. A agremiação é a primeira e única escola do mundo voltada para pessoas com deficiência, portadoras de nanismo, autismo e transtornos neurológicos. E este ano, levou para o sambódromo, alegria inclusiva e diversidade com mais de 1500 componentes fantasiados, dentre eles, estavam a porta-bandeira Lu Rufino e o mestre-sala Lincoln que bailaram e riscaram o chão da Sapucaí com toda alegria.

Ela aproveitou também, o convite da Escola de Samba Império da Tijuca que levou para a avenida o enredo “Samba de Quilombo – A Resistência pela Raiz” e desfilou, juntamente, com outros componentes na ala da inclusão social.

“Fiquei muito feliz em receber o convite, ver as pessoas se divertindo, brincando e aproveitando a oportunidade dada pela direção da Escola. Espero que outras iniciativas se inspirem neles. Temos direito de nos divertir e ter a nossa cidadania respeitada — afirma a sambista.

Enfim, é importante lembrar que devemos aproveitar a vida e que a Lu Rufino, fez da deficiência uma ponte para ajudar outras pessoas e não se lamentar por ter enfrentado obstáculos. Pelo contrário, se orgulha de tudo que fez até hoje.

 

Crédito da foto Rosa de Ouro – Mary Teles

 

Crédito das Fotos da Sapucaí – Cissa Alves