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A Tradição na Avenida 1964

1964 – La vamos nós para a rotina anual do carnaval, a compra de ingressos e um evento a parte em nossa casa, minha mãe dona Dejanira sempre muitíssima animada preparava o tradicional lanche para passarmos a noite na fila. Um fato marcante deste agradável momento era que sempre via todos lá de casa envolvidos com o processo da compra de ingresso, meu pai o sr. Antônio e todos o meus irmãos sem nenhuma exceção, acredito que venha dai o nosso envolvimento até hoje com esta festa, o carnaval do Rio de Janeiro.

O Estrondoso sucesso do Acadêmico do Salgueiro no ano de 1963 mostrou de forma acentuada a transformação definitiva do carnaval, estava consolidada a proposta do carnaval com ostentação. Evidentemente a Portela teria que se adequar a esta nova realidade, e ser ainda mais ousada o grande marco do carnaval de 1964, sem sombra de dúvida foi à apresentação do grupo de “encasacados” que tocavam violino à frente da bateria da escola. O grupo formado por violinistas da Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal, executava a valsa nupcial, ilustrando o enredo “O Segundo Casamento de D. Pedro I”, de autoria do presidente Nelson Andrade, profundo conhecedor das ousadias salgueirenses.

1964 – Mais uma vez foi cumprida a tradição da década de 60, o desfile naturalmente começou com atraso, provocando o descontentamento e protesto do publico presente. Às 21h30 a Unidos da Capela finalmente pôde abrir o desfile das grandes escolas o carnaval carioca. Já se passava um pouco mais da meia noite, graça a falta de organização muitos aproveitaram para invadir as arquibancadas completamente lotadas, na Avenida Presidente Vargas.

Às 3h20 da manhã os 1.200 componentes da Portela entram na avenida e são aplaudidos calorosamente pelo publico, a polícia continua em sua investida para conter o público que insiste em invadir a pista de desfile, prejudicando a evolução das escolas. O violento conflito travado entre a polícia e os espectadores não tirou o brilho da entrada da Portela na avenida.

A bateria da Portela se apresentou brilhantemente, o show apresentado foi aplaudido de forma calorosa, igualmente também se apresentaram o casal de mestre sala e porta bandeira, formado por Benício e Vilma Nascimento, que embalado pelo belo samba de Antônio Alves, bailavam lindamente.

1964 – A Acadêmico do Salgueiro com o seu visual suave, porem extremamente rico inicia sua apresentação com um pequeno grupo de sambista que pedem passagem para Neca da Baiana, que representa Chico Rei, seguido pelas famosas e badaladas passistas as irmãs Marinho, que este ano estreavam na escola. O Salgueiro conta a história do rei africano que se tornou escravo no Brasil, a escola conta que levado a Vila Rica para trabalhar na mineração, Chico Rei para conseguir dinheiro para sua alforria, bem como a dos demais escravos, decide esconder o pó de ouro nos cabelos durante o trabalho e retira-lo nas pias das igrejas. E assim se apresentou o Salgueiro que teve varias alas coreografadas por Mercedes Batista com a fantasia de Rainha Conga. Durante a coreografia da lavagem da cabeça dos escravos, a escola era prejudicada uma vez que estes componentes não cantavam o belo samba. Ainda assim a escola saiu da avenida bastante aplaudida.

1964 – Neste ano o Império Serrano era a franca favorita para conquistar o título do Carnaval Carioca, pois tinha o samba enredo antológico de Silas de Oliveira. O samba é uma exaltação ao Brasil, contando em versos a respeito das regiões geográficas, a beleza da arquitetura tradicional e moderna das lendas e costumes das diferentes culturas dos povos que compõem essa nação. O Império Serrano estava pronto para dar início ao seu desfile, a vitória era praticamente certa quando acontece o inesperado, a notícia do que Ary Barroso havia acabado de falecer em 09 de fevereiro de 1964. Atônitos e desolados, os componentes da escola resolveu atrasar o desfile por 10 minutos, tocando tão somente o surdo lentamente em sinal de luto, mas a escola foi penalizada e perdeu pontos por causa do atraso.

Aconteceu no Carnaval

1963 – É instituído concurso publico para escolha de projetos para a decoração da cidade.

Um casal de dançarinos de gafieira em que a moça era surda-muda, comoveu o público que assistia ao espetáculo. Os jovens passistas da Portela também foram destacados como um dos pontos altos do desfile.

Atestando que a popularidade do samba já se fazia sentir no exterior, um grupo de artistas estrangeiros, como Elza Martinelli, Porfírio Rubirosa, Alberto Sordi e outros, incluindo o fotógrafo Willy Rizo, da revista francesa “Paris-Match”, assistiu ao desfile trazido pelo ator brasileiro José Lewgoy, que foi jurado nesse carnaval.

Em 1964 Isabel Valença primeira cidadã afro-brasileira a entrar no baile mais chique e concorrido da cidade, vence o desfile com a fantasia Rainha Rita de Vila Rica, do enredo “Chico Rei”.

Uma nota triste para o samba foi o falecimento de Ary Barroso, faltando cinco minutos para o início do desfile. Oficialmente, os alto-falantes da avenida só anunciaram a morte do grande compositor quando o Império Serrano, que apresentaria o enredo “Aquarela Brasileira”, se preparava para iniciar sua apresentação.

 A apuração foi realizada na já desaparecida sede antiga do Flamengo, em homenagem a Ary Barroso,

1964 – Houve o crescimento do numero de componentes nas escolas, Mangueira e Portela chegaram a se apresentar com aproximadamente 1.200 componentes, um aumento de cerca de 1300% comparado com os anos 30. Segundo alguns observadores que eram de 90 componentes.

Desfile das Escolas de Samba

O carnaval de 1964 teve o seguinte resultado, Grupo 1 Candelária:

Portela com enredo “O Segundo casamento de D. Pedro I com 59,0 pontos foi a Campeã, Acadêmicos do Salgueiro com enredo “Chico Rei’ com 58,0 pontos Vice-Campeã, Estação Primeira de Mangueira com enredo “Histórias de um preto Velho” com 49,0 pontos em Terceiro, Império Serrano com enredo “Aquarela Brasileira” com 44,0 pontos, Unidos da Capela com enredo “Exaltação ás Beldades de Nossa” Pátria com 37,0 pontos, União de Jacarepaguá com o enredo “Uma Festa no Tijuco” com 36,0 pontos, Mocidade Independente de Padre Miguel com enredo “O Cacho de Banana” com 34,0 pontos, Aprendizes de Lucas com enredo “Viagem através do Brasil” com 31,0 pontos, Unidos de Padre Miguel com o enredo “Feira na Bahia” com 27,0 pontos, e Unidos do Cabuçu com enredo “Brasil de Norte a Sul” com 27,0 pontos.

Foram rebaixadas as escolas: Unidos de Padre Miguel e Unidos do Cabuçu.

Respondendo ousadia com mais ousadia, a garra portelense fez a diferença e trouxe, pela 17ª vez, o título máximo do carnaval carioca para Oswaldo Cruz e Madureira.

Grupo 2 Avenida Rio Branco

Império da Tijuca com enredo “O esplendor do Rio Imperial” com 63,0 pontos foi a Campeã, Imperatriz Leolpodinense com enredo “A Favorita do Imperador, Marquesa de Santos” com 63,0 pontos Vice-Campeã, Unidos de Vila Isabel com enredo “Exaltação a Bahia” com 62,0 pontos em Terceiro, Unidos da Tijuca com enredo “Homenagem ao Rio Grande do Sul” com 57,0 pontos, Acadêmico de Santa Cruz com enredo “Costumes e Tradição da Bahia” com 53,0 pontos, União do Centenário com 52,0 pontos, Independentes do Leblon com 48,0 pontos, Aprendizes da Gávea com 48,0 pontos, Lins Imperial com enredo “O Sonho das Esmeraldas” com 44,0 pontos, Caprichosos de Pilares com enredo “O Último Baile da Corte Imperial” com 41,0 pontos, Império do Marangá com enredo “Aclamação a D. Pedro I” com 36,0 pontos, Beija-flor de Nilópolis com enredo “Café Riqueza do Brasil” com 35,0 pontos, e Unidos de Bangu com enredo “Joias da Poesia” com 34,0 pontos.

Foram rebaixadas as escolas: Beija-Flor de Nilópolis e Unidos de Bangu.

Referências:

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Edson Farias, livro o desfile e a cidade, protalaweb, farofacartacapital, sambariocarnaval.com, Wikipédia, a cartilha das escolas de samba.

Comments (2)

  1. Vivendo e aprendendo…
    Parabéns.