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O Quarto Centenário – 1965

1965 – Chega o Carnaval e nós já temos o nosso ritual para esta época do ano, então lá fomos nós para a compra de ingressos para os desfiles das escolas de samba. Neste ano me pareceu ter uma busca maior para a compra dos ingressos, havia aquelas famílias dos anos anteriores que já erámos velhos conhecidos, mais também muita gente nova na fila. A venda dos ingressos foi esgotada em poucos minutos, com toda certeza bem mais rápido que nos anos anteriores.

Bom já era do conhecimento de todos que por sugestão do Governador Carlos Lacerda, as Escolas de Samba se apresentariam para o Carnaval de 1965, com enredos em homenagem aos 400 anos da cidade.

RIO – Em 1965, o aniversário do Rio de Janeiro caiu em uma segunda-feira de Carnaval. Os desfiles das Escolas de Samba que começavam na noite de domingo e transcorreria até o dia seguinte, portanto também, seriam realizados na data em que a cidade completaria 400 anos. Nada mais justo que as agremiações carnavalescas, legítimas representantes da carioquice, entrassem no calendário de comemorações do Quarto Centenário da ex-capital federal. A ideia de todas as Escolas de Samba se apresentarem com um só tema, resultou
em alguns dos melhores desfiles de todos os tempos.

1965 – O Acadêmico do Salgueiro, já desenhava uma nova vitória, com o enredo História do Carnaval Carioca – Eneida, escolhido por Fernando Pamplona para o desfile que comemorou o IV Centenário da Cidade do Rio de Janeiro. Nesse ano, Fernando Pamplona teve como ajudante um jovem bailarino do Teatro Municipal: Joãozinho Trinta. Apesar de alguns contratempo, o abre-alas onde o filho do falecido presidente Casemiro Calça Larga, não chegou ao barracão, desta forma o Salgueiro teria que se apresentar desfalcado. O carnavalesco Fernando Pamplona pediu então às Irmãs Marinho para abrirem o desfile, com o lema da escola escrito em um cartaz: “Nem melhor, nem pior, apenas uma escola diferente”. Ainda que tivesse duvidas sobre a sua ideia e obviamente o publico poderia ter uma reação negativa e dar vaias para apresentação e isto não ocorreu, o publico aplaudiu demasiadamente a agremiação, principalmente a comissão de frente que composta por 20 homens fantasiados com burrinhas de vime.  Um desfile impecável fez toda a avenida vibrar. O Salgueiro foi recebido por uma enorme chuva de confete e serpentinas, distribuídos por seus dirigentes nas arquibancadas.

1965 – O Império Serrano neste carnaval entrou na avenida apoiado na maior inspiração de Silas de Oliveira, Dona Ivone Lara, a primeira mulher a fazer parceria em samba enredo e Bacalhau. Que compuseram no ano do quarto centenário do Rio de Janeiro, uma obra-prima de samba enredo: “Os Cinco Bailes da História do Rio”. O samba retratava com poesia cinco grandes eventos do passado de nossa cidade, dando uma atmosfera nobre, solene, tal qual um grande baile. O Império Serrano que a partir da metade do seu desfile e com um final de apresentação realmente empolgante, consegue entusiasmar a grande maioria das 200 mil pessoas presentes na Avenida Presidente Vargas, sendo assim credenciada como provável vencedora do desfile das Escolas de Samba.

1965 – A Portela vivia a expectativa de ser bicampeã após o grande carnaval do ano anterior, neste ano era também realizado o primeiro carnaval pós-ditadura militar. A Portela mais uma vez, criou uma tradição dos desfiles das escolas de samba. Após a passagem dos Acadêmicos do Salgueiro, que teve como enredo “História do Carnaval Carioca”, a pista estava coberta por confetes e serpentinas. Natal determinou que a Portela não desfilasse com o chão naquelas condições e mandou que se fizesse a limpeza. Estava criada a varredura da avenida sempre após a passagem de cada agremiação. Com o enredo “História e tradições do Rio Quatrocentão”, de autoria do presidente Nelson de Andrade, que também foi o diretor de carnaval, a Portela levou para a avenida mais um belo samba de Candeia e Waldir 59. O pavilhão estava novamente, sob a guarda do mestre-sala Benício e da porta-bandeira Wilma.

1965 – A madrugada de segunda-feira dia 01/03, serviu de cenário para apresentação extraordinária de uma Escola de Samba. A Estação Primeira de Mangueira, com o enredo “Rio Através dos Séculos” fez um desfile dos deuses considerado por muitos de seus integrantes, o melhor de sua existência. Há muito tempo, uma escola não se apresentava na avenida como fez a Mangueira. Impecável do início ao fim de sua apresentação, o publico embalado pelo componentes da escola cantavam o belo samba de Hélio Turco, Cumprido e Pelado. Como não poderia deixar de ser, a Mangueira também se credencia como outra provável vencedora do desfile das Escolas de Samba.

Aconteceu no carnaval

Nem só de alegrias viveu o Salgueiro no carnaval de 1965. Apesar do título, problemas na chegada de peças e adereços para o desfile irritaram Fernando Pamplona, que acabou se afastando da agremiação no ano seguinte. Em 1966 coube a Clóvis Bornay a incumbência de fazer o carnaval Salgueirense.

Os Cinco Bailes: 1 – Os 20 anos de fundação da Cidade, em 1585; 2 – A grande festa de mudança de capital do vice-reino do Brasil de Salvador para o Rio de Janeiro, em 1763; 3 – A aclamação de Dom João VI como Rei de Portugal, Brasil e Algarves, em 1818; 4 – O grande baile da Independência do Brasil, em 1822; 5 – O último baile do Império, ocorrido na Ilha Fiscal, em 1889.

Após o carnaval, o Império Serrano foi convidado a desfilar no Jockey Club da cidade, diante de toda a elite carioca em 05 de abril de 1965.

A Portela protestou contra a sujeira deixada pelos confetes e serpentinas na passarela. Fernando Pamplona carnavalesco do Acadêmico do Salgueiro, em tom de deboche, comparou a roupa dos garis da prefeitura que limpavam a avenida, com a comissão de frente portelense, o que não foi muito bem recebido pela diretoria azul-e-branca, ordenando então aos varredores para que se aproximassem mais do Salgueiro ainda desfilando. Ironicamente, o júri pensou que os garis fossem integrantes da escola, que não havia se esquecido nem dos pobres trabalhadores da quarta-feira de cinza. Ovacionado pela imprensa e pelos espectadores, o Salgueiro sagrou-se novamente campeão.

E foi nesse ano que foi criado o Desfile das Escolas Campeãs, tradição incorporada ao calendário carnavalesco e turístico da cidade.

Todas as escolas abordaram o Rio de Janeiro, que completava 400 anos de fundação, e a cidade foi toda decorada com temas referentes às obras de Debret e Rugendas.

Desfile das Escolas de Samba

O carnaval de 1965 teve o seguinte resultado, Grupo 1 Candelária:

Acadêmico do Salgueiro com enredo “História do Carnaval Carioca-Eneida com 132,0 pontos Campeã, Império Serrano com enredo “Cinco bailes tradicionais da História do Rio com 122,0 pontos Vice-Campeã, Portela com enredo “Histórias e tradições do Rio quatrocentão, do morro Cara de Cão à Praça Onze” com 122,0 pontos Terceira Colocada, Estação Primeira de Mangueira com enredo” Rio através dos Séculos” com 117,0 pontos, Unidos da Capela com enredo “Rio de Ontem e de Hoje com 104,0 pontos, Mocidade Independente de Padre Miguel com enredo “Parabéns pra Você, Rio (4º Centenário)” com 95,0 pontos, Aprendizes de Lucas com enredo “Progresso e tradição do Rio” com 92,0 pontos, Império da Tijuca com enredo “Apoteose ao Rio de Janeiro com 89,0 pontos, União de Jacarepaguá com enredo “Carnaval, alegria do Rio com 86,0 pontos, e Imperatriz Leolpodinense com enredo “Homenagem ao Brasil no IV Centenário do Rio de Janeiro” com 53,0 pontos .

Foram rebaixadas as escolas: União de Jacarepaguá e Imperatriz Leolpodinense.

Grupo 2 Avenida Rio Branco

Acadêmico de Santa Cruz com enredo “Rio quatro séculos de Glórias” com 103,0 pontos Campeã, Unidos de Vila Isabel com enredo “Epopéia do Teatro Municipal” com 101,0 pontos Vice-Campeã, São Clemente com enredo “Relíquias e Memórias do Rio” com 97,0 pontos, Independentes do Leblon com 97,0 pontos, Unidos da Tijuca com 96,0 pontos, Lins Imperial com enredo Rio através da História com 96,0 pontos, Aprendizes da Gávea com 96,0 pontos, Paraiso do Tuiuti com enredo “Quatro séculos de Glória com 93,0 pontos, Tupy de Brás de Pina com enredo “Outros Carnavais com 84,0 pontos, Unidos do Cabuçu com enredo” Rio 400 Janeiros” com 72,0 pontos, Caprichosos de Pilares com enredo” O IV Centenário do Rio de Janeiro com 72,0 pontos, Unidos de Padre Miguel com enredo “Viagem através do Rio com 66,0 pontos, União do Centenário com 65,0 pontos, Império do Marangá com enredo “Exaltação ao IV Centenário do Rio de Janeiro com 56,0 pontos, e Unidos da Vila Santa Tereza com enredo “Rio Antigo” com 53,0 pontos.

Foram rebaixadas as escolas: Império do Marangá e Unidos da Vila Santa Tereza

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Referencias:

blogjequtibadosamba, sambariocarnaval.com.br, livro a cartilha das escolas de samba, extra.globo.com, jequitibadosamba, carnavalesco.com.br, portelaweb, wikipedia

 

Comments (2)

  1. Como boa portelense, gostei de saber que foi a minha escola que iniciou a limpeza da avenida.