Rachel Valença pede soluções alternativas para o Carnaval: ‘Estamos entregues à própria sorte’

Rachel Valença pede soluções alternativas para o Carnaval: ‘Estamos entregues à própria sorte’

Crédito: Redação SRzd

A pesquisadora e comentarista do SRzd Rachel Valença manifestou seu descontentamento com a falta de iniciativa, principalmente da classe política, em buscar soluções que minimizem os efeitos do cancelamento do Carnaval. Em texto enviado ao SRzd, a sambista cobra alternativas para a festa, que só acontecerá agora em 2022.

Acho que falta aos políticos sensibilidade para entender o que significa o Carnaval para esta cidade e até para o estado. O carnaval dá emprego, são milhares de pessoas profissionalmente envolvidas com a festa. O Carnaval movimenta o turismo e impacta a economia. O Carnaval é a mais importante manifestação cultural de nosso povo. Não seria o caso de se pensar uma forma de minimizar os efeitos de seu cancelamento? Muito pouco de fez nesse sentido, nem por autoridades, nem por parlamentares, nem pelas entidades representativas das agremiações carnavalescas. Estamos entregues à própria sorte. Até dezembro de 2020, tivemos uma prefeitura que voltou ostensivamente as costas para o carnaval. Tivemos um enorme retrocesso nesse período.

Hoje pela manhã me choquei com a notícia de que a repressão policial a aglomerações no carnaval apreenderia instrumentos de ritmo como prova de delito. Meu Deus, voltamos aos tempos gloriosos dos sambistas pioneiros, que eram presos por terem consigo um pandeiro…

Não sou a favor de haver carnaval nos moldes habituais, mas uma solução alternativa tinha que ser buscada, para não deixar as escolas de samba e seus trabalhadores à míngua. E os políticos se omitiram. Se alguns vereadores, como Reimont e Tarcísio Motta, tiveram essa preocupação, não conseguiram se fazer ouvir. Parece que há um gosto perverso de ignorar a força e a beleza da cultura popular, da cultura da negritude, daquilo que vem das ruas. Mas o Carnaval não vai morrer, as escolas de samba, blocos, afoxés, clóvis e tantos outros apaixonados são resistência. Em 2022 estarão de volta com o mesmo vigor e espero que com mais consciência na hora de escolher seus representantes.

 

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Paulo Costa