Babi Cruz celebra 50 anos de Carnaval
Babi Cruz celebra 50 anos de Carnaval e será homenageada pela Estrelinha da Mocidade
Ex-porta-bandeira da Mocidade Independente de Padre Miguel, sambista construiu trajetória marcada pelo pavilhão verde e branco e pela formação de novas gerações do Carnaval
Há 50 anos, uma menina começava a construir uma história que atravessaria gerações do Carnaval carioca. Babi Cruz foi Rainha das “Bonequinhas Sambistas” por três anos, projeto que contava com mais de 30 meninas entre 7 e 10 anos, idealizado pelo lendário Mestre André para revelar novos talentos do samba. Aos 12, já carregava o pavilhão da Mocidade Independente de Padre Miguel como porta-bandeira mirim. Cinco décadas depois, a relação com a Estrela-Guia de Padre Miguel permanece viva: em 2026, Babi será a grande homenageada da Estrelinha da Mocidade, escola de samba mirim da agremiação.
A trajetória de Babi se confunde com capítulos importantes da história da Mocidade. Aos 17 anos, chegou ao posto de primeira porta-bandeira da agremiação. Pela Mocidade, defendeu o pavilhão em seis carnavais — 1989, 1990, 1991, 1993, 2003 e 2004 — e esteve presente em momentos marcantes da trajetória vitoriosa da escola, como nos carnavais de 1990 e 1991, quando a verde e branca conquistou o bicampeonato do Carnaval Carioca.
“Lutei muito para profissionalizar a minha classe de Mestre e Sala e Porta Bandeira. Fiz o primeiro contrato oficial da história do Carnaval. E hoje, todos eles são profissionais da arte. Na época fui criticada, mas segui de cabeça erguida com um olhar para o que eu já vislumbrava naquela época: a preservação do bailado de mestre e sala e porta bandeira e uma maior valorização da arte e cultura do nosso país.”
Mais do que uma porta-bandeira, Babi se tornou uma personagem ligada à identidade e à memória da Mocidade. Sua história também se entrelaça com a de uma das famílias mais conhecidas do samba: foi companheira do cantor e compositor Arlindo Cruz, com quem construiu uma vida de parceria no Carnaval e na música. O casal se conheceu em 1986, quando Babi participava de uma apresentação como porta-bandeira da Mocidade.
A ligação com o samba, entretanto, nunca ficou restrita à dança e ao pavilhão. Babi também se aventurou como compositora, chegando a integrar uma parceria inscrita na disputa de samba-enredo da Mocidade para o Carnaval de 2022.
Agora, ao completar 50 anos de Carnaval, Babi retorna ao lugar onde parte fundamental de sua história começou: a formação de novos sambistas. A homenagem da Estrelinha da Mocidade ganha ainda mais significado por representar um encontro entre passado, presente e futuro. Criada em 1992, a escola mirim nasceu justamente com a proposta de formar novos talentos e oferecer às crianças da comunidade de Padre Miguel um espaço de convivência, cultura e aprendizado através do samba.
A escolha de Babi como homenageada transforma sua própria trajetória em inspiração para as novas gerações. Da menina que aprendeu os fundamentos do Carnaval com Mestre André à porta-bandeira que levou o pavilhão independente para a Avenida, sua história representa a transmissão de uma paixão que atravessa o tempo.
“Agora eu tenho mais um presente na vida: neste próximo carnaval vou vir no carro abre alas, abrindo a encruzilhada para a Mocidade passar, neste novo capítulo que a escola está vivendo. Uma reconquista da autoestima do nosso povo da Zona Oeste, dos apaixonados pela verde e branco. Uma escola que ensina e exporta samba para o mundo”, conta Babi.
A homenagem reafirma também uma das características mais marcantes da Mocidade: a valorização de sua memória e daqueles que ajudaram a construir, dentro e fora da Avenida, a identidade da escola.
Share this content:


