Espaço criado por família negra movimenta cultura no Centro do Rio

Espaço criado por família negra movimenta cultura no Centro do Rio

Criado por família negra, espaço no Centro do Rio mistura samba, gastronomia e formação cultural
Com programação acessível e foco em pertencimento, Espaço Diversidade reúne cultura afro-brasileira, impacto social e experiência no coração da cidade

No coração do Centro do Rio de Janeiro, um imóvel na Rua do Rosário tem se consolidado como ponto de encontro entre arte, memória e cotidiano. Criado por uma família negra, o Espaço Diversidade é um lugar onde a cultura afro-brasileira é vivida na prática, entre rodas de samba, pratos que carregam história e uma programação que mistura formação, lazer e pertencimento.

À frente do projeto está Marcos Bandeira, produtor cultural e multiartista, que cresceu em meio a manifestações como o samba, a capoeira e o jongo. O espaço nasce, segundo ele, não como uma ideia isolada, mas como desdobramento de uma vivência familiar.
“Isso aqui não nasceu como um projeto pensado no papel. É muito do que a gente já vivia. A gente se organizou muito, reunimos muitas referências ancestrais e abrimos para o público”, resume.

Em pouco mais de um ano de funcionamento, o Espaço Diversidade já reuniu cerca de cinco mil pessoas, entre artistas, trabalhadores da região, estudantes e turistas. Parte do programa Reviver Cultural, o local ocupa um imóvel revitalizado e se diferencia ao criar uma dinâmica que constrói laços com o território.

A experiência passa também pela cozinha. Um dos destaques do espaço é a chamada culinária afetiva, com pratos que levam nomes de integrantes da família Bandeira e resgatam receitas do dia a dia. À frente está a Cozinha da Vovó Cláudia, que traduz em comida a memória construída em casa. “A comida tem muito da nossa história. São receitas que vêm da nossa família mesmo, da convivência, do dia a dia. A gente quis trazer isso pra dentro do espaço”, explica Marcos.

O ambiente reforça essa proposta. Cada espaço interno faz referência a símbolos culturais e pontos conhecidos do país, como a Escadaria Selarón, os Arcos da Lapa e o Cristo Redentor, criando uma espécie de percurso visual que conecta diferentes territórios e narrativas. O local também abriga barbearia social, salas de dança e cinema, área infantil, palco para apresentações e espaços voltados à moda e às artes visuais.

A programação é contínua e diversa, com rodas de samba, aulas de dança, que vão do samba no pé à dança de salão e danças afro, encontros artísticos e atividades formativas fazem parte da rotina. Muitas das ações são gratuitas ou têm valores acessíveis, para conseguir incluir todo tipo de público.

Entre os projetos de impacto social está o Clubinho do Sorriso, colônia de férias realizada em janeiro e julho, voltada para crianças e mães solo em situação de vulnerabilidade. A iniciativa inclui oficinas, atividades recreativas e visitas a equipamentos culturais da cidade, ampliando o acesso a experiências que nem sempre chegam a esses públicos.

Durante o Carnaval, o espaço também se transforma em ponto de troca cultural, recebendo turistas de diferentes regiões do Brasil e de outros países, interessados em vivenciar de perto manifestações da cultura afro-brasileira. A vivência com o carnaval, inclusive, atravessa a própria trajetória da família Bandeira, que tem na artista Luana Bandeira uma de suas representantes na cena carioca, reforçando a conexão entre o Espaço Diversidade e a cultura popular construída nas ruas e na avenida.

O Espaço Diversidade se firma como um território de criação e autonomia, onde artistas e empreendedores negros encontram espaço para circular suas produções e fortalecer redes, como acontece em iniciativas como o projeto Baixada no Centro.

“Pra gente, é importante que as pessoas entendam que isso aqui não é tendência. É o que sempre existiu. A diferença é que agora a gente tem um espaço nosso pra mostrar isso do nosso jeito”, finaliza Marcos Bandeira.

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